Instituto OPS vence prêmio internacional de combate à corrupção


Era 25 de outubro, um dia que parecia ser como qualquer outro não fosse por um e-mail que recebi às 8h24, mas que só fui ler à tarde. A mensagem veio em inglês e mesmo sendo um semianalfabeto desse idioma entendi parte do que o título trazia em destaque: “Winner notification”. Pensei: “Isso é Spam”.

Abri o e-mail e nele havia o nome “International Anti-Corruption Excellence Award”. Um frio passou pelo meu corpo, começando pela cabeça e terminando nos dedos dos pés. Me lembrei da conversa que tive com a amiga e diretora do Observatório Social de Mato Grosso, Elda Valim, que disse que me indicaria para a organização deste prêmio internacional de combate à corrupção.

Incrédulo, mas com as mãos suando, fiz a tradução do texto para o português e lá estava a mensagem que me fez chegar o corpo para trás, apoiando minhas costas na cadeira.

“Em nome do secretariado do Prêmio Internacional de Excelência em Anticorrupção e de Sua Excelência o Dr. Ali Bin Fetais Al Marri, Advogado Especial da ONU para a Prevenção da Corrupção e Presidente do Comitê de Prêmio de Alto Nível, tenho o maior prazer em informar você que sua indicação foi escolhida como vencedora conjunta do Prêmio Internacional de Excelência em Anticorrupção deste ano na categoria Inovação.”

Me levantei, cocei a cabeça, me sentei, li novamente e sim, o texto permanecia ali, inalterado. Eu não tive uma visagem.

Como alguém que pode estar sendo odiado por muitos devido às inúmeras denúncias que já fez contra gestores e órgãos públicos, eu considerei a hipótese de ser algum tipo de brincadeira de mau gosto. Iniciei uma verificação de dados, endereços de e-mails e quanto mais verificava, mais certeza eu tinha de que o meu trabalho à frente da OPS e do Instituto OPS fora reconhecido por uma entidade internacional. E que entidade!

A Rule of Law and Anti-Corruption Centre (ROLACC), criada a partir da Conferência os Estados Integrantes da Terceira Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção, em 2009, promove anualmente, sempre no dia 9 de dezembro, o dia internacional do combate à corrupção, o prêmio Ace Award, cujo objetivo é “apoiar e inspirar esforços de combate à corrupção, por meio de conscientização, incentivo e desafio” daqueles que atuam nesta causa, no mundo inteiro.

O Conselho de Curadores é composto por personalidades de grande importância como o Dr. Mohamad Moncef Al Marzouki, ex-presidente da Tunísia, Dr. Ali Bin Fetais Al Marri, um dos responsáveis pela criação da Constituição do Qatar e advogado Especial da ONU para a Prevenção da Corrupção, Sr. Awn Shawkat Al-Khasawneh, ex-primeiro-ministro do Reino Hachemita da Jordânia e juiz do Tribunal Internacional Justiça, Mr. Micheal B. Mukasey que atuou recentemente como procurador-geral dos Estados Unidos, Lord Peter Goldsmith, QC que, dentre outras coisas, atuou como Procurador-Geral do Reino Unido.

Um filme passou por minha cabeça. Eram cenas reais que vivi há algumas semanas antes quando a amiga Elda Valim me disse que me indicaria ao prêmio e que eu precisaria escrever um pequeno release sobre a atuação do Instituto OPS.

Confesso que o fiz apenas para ser cordial, pois não acreditava que eu pudesse me tornar o primeiro brasileiro a receber este prêmio. “Um sonho inalcançável”, pensei.

Hoje, escrevendo este texto, percebo que a jornada do Instituto OPS ganhou um estímulo que vai levá-lo muito além do que já pude imaginar.

A dificuldade de sobreviver por tantos anos no terceiro setor que seguidamente impõe barreiras estrategicamente colocadas por quem deveria derrubá-las, a absoluta escassez de recursos financeiros, os dias e noites quase intermináveis revirando gastos pagos com o dinheiro do contribuinte apenas reforçavam a certeza que eu tinha de que, no Brasil, combater a corrupção não é coisa para quem desiste com facilidade.

Levantar o Prêmio Ace só foi possível porque eu sempre contei com amigos que me deram força para continuar nessa árdua luta contra a corrupção e, claro, com os milhares de voluntários que tornam possível a atuação da Operação Política Supervisionada (OPS) e do Instituto OPS.

E é por este motivo que dedico este prêmio a todos aqueles que, de uma forma ou de outra, me ajudaram a manter vivo o trabalho da OPS, que se iniciou lá atrás como Operação Pega Safado.



Categorias:opinião, Política

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