Demitido, Alvim disse que não sabia a origem da frase


Num dos mais desconcertantes eventos públicos do atual governo, Roberto Alvim, agora ex-secretário da Cultura, em seu pronunciamento que objetivou lançar o novo projeto da pasta, o Prêmio Nacional das Artes, leu um extenso texto que continha trecho de um anúncio feito pelo ministro da Propaganda nazista, Joseph Goebbels.

A trilha sonora escolhida pelo então secretário da Cultura, demitido por Bolsonaro após pressão da opinião pública, foi a ópera “Lohengrin”, de Richard Wagner. O compositor alemão era celebrado pelo líder nazista e teve grande influência em sua formação ideológica.

Paul Joseph Goebbels nasceu no dia 29 de Outubro de 1897 numa pequena cidade alemã e aos 27 anos teve seu primeiro contato com Hitler, a quem devotou todo o resto de sua vida.

Anti-semita e defensor ferrenho do holocausto, devido sua enorme capacidade de discursar, Goebbels foi nomeado ministro da propaganda de Hitler e um dos principais articuladores para a ascensão nazista.

No livro Goebbels: a Biography de Peter Longerich, Goebbels anunciou o seguinte para os diretores de teatro da Alemanha Nazista:

“A arte alemã da próxima década será heroica, será ferreamente romântica, será objetiva e livre de sentimentalismo, será nacional com grande páthos e igualmente imperativa e vinculante, ou então não será nada”.

No vídeo, Roberto Alvim diz:

“A arte brasileira da próxima década será heroica e será nacional. Será dotada de grande capacidade de envolvimento emocional e será igualmente imperativa, posto que profundamente vinculada às aspirações urgentes do nosso povo, ou então não será nada”.

Em sua conta no Facebook, o agora ex-secretário se defende dizendo que não sabia a origem da frase que fora trazida por assessores. “Se eu soubesse da origem da frase, jamais a teria dito.”

Nomeado por Bolsonaro, Roberto Alvim já causou revolta na sociedade civil ao chamar a atriz Fernanda Montenegro de sórdida, dizer que a arte brasileira se transformou “em um meio para escravizar a mentalidade do povo em nome de um violento projeto de poder esquerdista” e prometer “lutar pela preservação dos princípios, valores e conquistas da civilização judaico-cristã, contra o satânico progressismo cultural”.

Ele também foi o responsável pela nomeação do presidente da Funarte, Dante Mantovani, que associou o rock ao satanismo e ao aborto, e do ex-presidente da Fundação Palmares, Sérgio Camargo, que foi afastado do cargo após negar o racismo.

Além disso, quando era presidente da Funarte tentou contratar a própria esposa em uma licitação de R$ 3,5 milhões e pregou a valorização da cultura cristã no programa de revitalização dos teatros brasileiros.

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