De conta de água a aluguel de mansão, deputados gastaram quase R$ 19,5 milhões em 2019


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Alugar imóvel para usá-lo como escritório político no estado, assim como pagar suas despesas com água, luz, telefone, TV a cabo e IPTU, e até mesmo software para gerenciamento de gabinete, são despesas comuns para 507 deputados da atual legislatura.

Quase R$ 19,5 milhões foram destinados à rubrica que tem um nome extenso: Manutenção de Escritório de Apoio à Atividade Parlamentar. O nome grande se coaduna ao valor, sendo esta a quarta maior despesa da CEAP registrada em 2019.

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A verba indenizatória dos deputados garante a cada um deles o pagamento de despesas do imóvel que desejar, sendo ele pequeno, grande, simples ou luxuoso. Basta o deputado escolher um que a Câmara paga.

O software não precisa ser certificado pela casa, ainda que custe mais que a absoluta maioria dos grandes softwares de gestão de grandes empresas.

Em passado recente, alguns parlamentares aproveitavam dessa benévola rubrica para criar o 2 e 1 com dinheiro público, ou seja, o imóvel servia não apenas para o mandato, mas para acomodar ali o diretório de seu partido, o que não é permitido pelos dois lados: pela verba indenizatória, que só pode ser utilizada para o custeio exclusivo de gastos parlamentares, e pelas leis eleitorais que impedem a partidos políticos se beneficiarem de dinheiro público que não sejam os previstos em lei.

Na lista dos 5 mais perdulários deputados de 2019 com essa rubrica, 3 são de Minas Gerais.

A 5º colocação é do deputado Augusto Coutinho (Solidariedade-PE).

Em 2019 ele torrou R$ 142.080,43 para alugar três salas no sofisticado Empresarial Rio Mar Trade Center, localizado em Recife, além das taxas condominiais e do IPTU de cada uma delas.

A verba para o pagamento de locação de imóveis foi criada para que o parlamentar ficasse mais próximo de seu eleitorado, algo que não parece ser possível dada à imponência do prédio, pelo menos a quem não tem condições de se vestir minimamente bem.

Em 4º lugar está Lafayette de Andrada (Republicanos-MG) – R$ 152.729,02

Descendente de José Bonifácio, Patriarca da Independência, Lafayette de Andrada é filho e neto de políticos, ou seja, é mais um da oligarquia política brasileira que recebe votos não apenas pelo o que promete, mas pelo sobrenome que carrega.

Ele é mais um que prefere as alturas de um prédio para montar seu escritório político e assim, aparentemente, manter à distância os eleitores menos afortunados. Por mês paga-se R$ 5,5 mil de aluguel de duas salas no 11º andar do Ed. III Milênio, em Belo Horizonte.

Os gastos, no entanto, não param por aí. Os móveis e equipamentos do escritório também são alugados, o que gera uma despesa mensal em torno de R$ 10 mil.

Em 3º lugar está Misael Varella (PSD-MG) – R$ 154.115,26

Diferentemente de seus pares, o mineiro de Muriaé gasta a grana pública com sistema de informação para gerenciar seu gabinete que conta com 26 assessores.

Misael Varella utilizou R$ 154,1 mil do dinheiro público com a locação de um software de gerenciamento de atividades parlamentares, que, de acordo com a descrição de uma das notas fiscais, compreende a agenda do deputado, mala direta e correspondências diversas, serviços facilmente encontrados no mercado por uma fração do valor.

Por mês o deputado paga R$ 9,6 mil à Telemáximo, empresa que, coincidentemente, presta serviço de validação de faturas telefônicas de todas as 18 empresas Lael Varella, pai do deputado.

Além do cuidado no gerenciamento de seu gabinete, o deputado adquiriu ainda R$ 51,3 mil com material de papelaria, como centenas de resmas de papel, envelopes, etiquetas e pastas.

O 2º é de outro mineiro, Patrus Ananias (PT) – R$ 160.459,95

Uma casa de 220m² localizada no bairro de Santa Efigênia da capital mineira era, pelo menos até dezembro passado, o local onde funcionava o escritório de apoio do deputado petista.

Uma das pessoas que fazem parte do time de colaboradores da OPS esteve no local e foi informada que a casa foi esvaziada em dezembro.

O aluguel custava mais de R$ 5,1 mil, porém não era a única despesa. O deputado ainda pagou o IPTU, pouco mais de R$ 8,1mil, seguro contra incêndio, R$ 2,4 mil, aluguel de computadores, R$ 3,5 mil por mês, locação de móveis, R$ 4,6 mil, contas de luz e água em torno de R$ 350 por mês, uma central PABX, no valor de R$ 650 ao mês e vez ou outra aquisição de material de papelaria.

O 1º lugar é de uma mulher – Magda Mofatto (PL-GO) – R$ 161.401,15

A milionária deputada que atua na área de turismo num dos destinos mais visitados do Centro-oeste, Magda Mofatto (PL-GO) possui uma rede hoteleira na região de Caldas Novas e Rio Quente.

A mansão de dois pavimentos localizada no Setor Marista, área nobre da capital goiana, já serviu oficialmente, e ao mesmo tempo, também como sede do então partido da deputada, o PR, situação irregular que levou a Operação Política Supervisionada (OPS) a denunciar o fato ao Ministério Público, que obrigou o partido a sair do endereço.

Com locação de R$ 15,3 mil por mês, além de despesas com água, luz, telefone e equipamentos de informática, Magda manteve a liderança que é sua desde que assumiu a cadeira na Câmara, em 2015.

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