Câmara gasta R$ 42 milhões com passagens aéreas para parlamentares em 2019


Em 2019, a Câmara gastou R$ 42 milhões para que 518 deputados pudessem viajar de avião. O dinheiro utilizado é o da verba indenizatória, também conhecida como cotão. O valor equivale a pagar o benefício do Bolsa Família a mais de um milhão de pessoas.

Obtenha aqui o levantamento completo dos gastos com a verba indenizatória em 2019

Os parlamentares podem viajar para qualquer parte do mundo com dinheiro do cotão, desde que para o exercício do mandato. No entanto, a maioria das viagens é feita no percurso entre o estado de origem do deputado e Brasília.

Os deputados defendem que o exercício do mandato não se limita ao fato de estarem presentes na capital federal durante toda a semana, e isso é uma verdade. Ao serem eleitos, parlamentares passam a representar seus estados na Câmara, fazendo com que viagens se tornem necessárias para “ouvirem de perto” as demandas da sociedade.

No entanto, se fazer presente nas sessões ordinárias é uma obrigação e faltar a elas sem justificativas acarreta desconto nos salários e até à cassação do mandato. .

Há duas maneiras de o parlamentar adquirir passagens aéreas com dinheiro da verba indenizatória.

1 – Via RPA (Requisição de Passagem Aérea) em que a passagem é solicitada via CotasNet, sistema interno da Câmara utilizado pelos gabinetes para lançar todas as despesas feitas com a CEAP. Todo o procedimento é digital e o bilhete é emitido de acordo com o pedido feito pelo gabinete.

2 – Reembolso de bilhetes. O deputado é ressarcido pela Câmara após apresentar os comprovantes de compra e de embarque. Funcionários de gabinete também podem usufruir desse benefício.

Parlamentares eleitos pela região norte naturalmente tem o custo maior devido ao valor mais elevado das passagens, em decorrência da distância de Brasília de seus estados. Para permitir equidade entre os membros do parlamento, suas cotas são as mais altas da casa. Deputados do Goiás, por exemplo, têm disponível R$ 35,5 mil por mês e os de Roraima, R$ 45,6 mil.

Alguns assessores também se beneficiam das passagens, desde que estejam previamente cadastrados na Câmara para esse fim. Veja o ranking que é liderado por paulistas.

TOP 5

Em 5º lugar está Celso Russomanno (Republicanos – SP) – R$ 185.671,30

Filiado à Igreja Universal, Russomanno voou cerca de 150 trechos em 2019, a maioria para São Paulo, onde, além de ser seu reduto eleitoral, faz reportagens em programa matinal na Tv Record.



Em 4º lugar está Paulo Freire Costa (PL-SP) – R$ 186.697,20

Ligado à Assembleia de Deus e deputado desde 2011, Paulo Freire costa voou aproximadamente 240 vezes no ano passado e seu principal destino, saindo de Brasília, é Campinas.



O 3º lugar foi conquistado por outro membro de igreja evangélica. Pastor Marco Feliciano, recentemente expulso do partido Podemos, foi ressarcido por aproximadamente 250 trechos voados, ao custo de quase R$ 195 mil em 2019.



Com gastos de quase R$ 210 mil, o 2º lugar é de Paulo Pereira da Silva (Solidariedade).

Paulinho da Força, também de São Paulo, foi um dos membros da chamada “tropa de choque de Cunha”, o ex-presidente da Câmara que foi cassado por seus colegas por inúmeras denúncias de corrupção e que está preso desde 2016. Paulinho da força realizou mais de 180 voos.



Em 1º lugar está o paulista de Campinas e promotor de Justiça Carlos Sampaio (PSDB-SP). Foram 280 trechos em 2019 e que custaram pouco mais de R$ 210 mil aos cofres do Estado.



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