A semana em minutos

Jair “mãos de tesoura” – A Semana em Minutos 22jun19


16 de junho

Mais um homem forte do governo Bolsonaro pegou seu banquinho e saiu de fininho. A vítima da vez foi Joaquim Levy, presidente do BNDES.
Durante entrevista, o presidente da República disse que estaria com Levy “por aqui” por ter colocado como diretor de Mercado de Capitais da instituição, um advogado que havia sido contratado de Lula para ser assessor no banco de fomento. Mas o próprio Levy já trabalhou com FHC, Lula, Dilma e até com Sérgio Cabral.

Assista ao vídeo ao invés de ler

A saída de Joaquim Levy, que é doutor em Economia pela Universidade de Chicaco não agradou alguns poderosos do país, como o presidente da Câmara Rodrigo Maia. Segundo ele, a atitude de Bolsonaro em dizer a jornalistas que a cabeça de Levy estava à prêmio foi uma “covardia sem precedentes”. Disse ele: “Se é pra demitir, chama e demite”.

Bolsonaro, no entanto, justifica o descontentamento com Levy porque ele esperava três atitudes do economista:

1º A devolução mais acelerada de centenas de bilhões de reais transferidos pelo Tesouro Nacional ao banco de fomento, que foi uma estratégia dos governos PT para aquecer a economia, mas que resultou em recessão;

2º A demora de Levy em abrir a “caixa-preta” do BNDES e assim escancarar as possíveis (quase certas) falcatruas ocorridas em financiamentos de obras em outros países, como o porto de Mariel, em Cuba;

3º A demora em vender participações que o BNDES tem em empresas.

Olhando por este ângulo percebe-se que Levy não estava mesmo tão empenhado em fazer o que seu chefe queria e isso sim é motivo para se perder o emprego. O que não é correto é fritar o cara em público.

O novo presidente do BNDES é o jovem de 38 Gustavo Montezano, mestre em Economia e graduado em Engenharia.

A tesoura de Bolsonaro também chegou aos Correios. Depois de, mais uma vez fritar alguém na frente de jornalistas, Jair mãos de tesoura disse que demitiria o general Juarez Aparecido de Paula Cunha por ele ter se portado como sindicalista. A saída, porém, foi anunciada pelo general apenas no dia 19, pelo Twitter.

Vida que segue!

17 de junho

R$ 400 mil é o que custou uma fake News publicada por Ratinho em seu programa. Em 1999, o apresentador contou a lorota de que um morador da cidade de Astorga, no Paraná, havia se separado da esposa para morar com o padre que celebrou seu casamento.

A reportagem mentirosa do SBT ainda exibiu imagens de outro padre como sendo do tal que haveria se casado com o rapaz. Os dois padres entraram com processo na Justiça e o STJ condenou Ratinho e SBT a pagarem, cada, R$ 200 mil de indenização por danos morais.

O caso traz à luz uma reflexão que serve, principalmente, aos desavisados das redes sociais, incluindo aí – e principalmente – os donos de dedinhos atrevidos no Whatsapp: tão danoso quanto inventar e publicar mentiras para se tornar o centro das atenções nas redes sociais é compartilhar tais informações.

É mais vantajoso ser um desconhecido de confiança que um famoso sem credibilidade.

18 de junho

E o Senado rejeitou o Decreto das Armas editado por Bolsonaro que agora segue para a Câmara.

47 senadores votaram pela derrubada do decreto que flexibiliza a posse e o porte de arma que, de uma maneira geral autoriza até jornalistas e caminhoneiros andem armados. 28 senadores votaram pela manutenção. Enquanto não for votado em definitivo pela Câmara, onde deverá também ser rejeitado, o decreto segue valendo.

Há duas observações que precisam ser ditas após mais essa derrota de Bolsonaro no Congresso:

– o governo precisa compreender que um assunto dessa envergadura não pode ser decidido por decreto, pois se trata de uma competência do Legislativo que, diga-se de passagem, já tem projetos similares tramitando no Congresso;

– a base do governo no Senado ainda é fraca, assim como na Câmara. Se não houver uma articulação cuidadosa e responsável, governar o país se tornará uma tarefa muito complicada para Bolsonaro que já é o segundo presidente depois da reabertura política em números de decretos assinados. Perde apenas para Fernando Collor.

E parece que Bolsonaro compreende a necessidade de um diálogo mais próximo com o Congresso, tanto que retirou dessa função seu amigo e defensor Onyx Lorenzoni. O responsável pela articulação agora será a Secretaria de Governo, comandada pelo recém-nomeado general Luiz Eduardo Ramos.

Se não se aprende com escritos, se aprende com derrotas.

19 de junho

O ministro Sergio Moro foi questionado por mais de 30 senadores em audiência no Senado que durou 9 horas sobre sua possível interferência em procedimentos de investigação da Lava Jato.

Moro chegou a dizer que sairá do governo se alguma irregularidade for encontrada, mas garantiu que não há. Segundo ele, conversas entre juízes e procuradores é algo corriqueiro e que isso não é ilegal.

O assunto da #VazaJato tomou os holofotes para si desde as publicações do Intercept, de trechos de conversas entre o então juiz Sergio Moro e procuradores da Lava Jato, em especial Deltan Dallagton.

Até mesmo um Pavão Misterioso apareceu para tumultuar mais ainda o meio de campo. Uma conta anônima, que depois disseram ser de um hacker russo, espalhou informações de que o site The Intercept pagou mais de um milhão de reais ao tal hacker para invadir os celulares de Moro, Dallagnol de outros procuradores em busca das tais conversar realizadas no Telegram.

O pavão acrescentou ainda que a desistência de Jean Wyllys de assumir o cargo de deputado federal na atual legislatura, o que beneficiou justamente o companheiro do editor chefe do site The Intercept, foi parte de uma negociação em que Jean receberia U$ 10 mil por mês de mesada de Glenn Greenwald.

Mas não existe mentira que seja perfeita. O pavão misterioso, para embasar suas denúncias, publicou documentos que seriam de transações financeiras envolvendo Glenn, mas se esqueceu de conferir se não havia erros básicos de escrita. A forma com que valores foram apresentados mostraram que não seria possível se tratar de um documento oficial de transação bancária, pois havia um ponto no lugar de uma vírgula. Além disso, palavras em inglês foram escritas de forma incorreta.

O pavão misterioso acabou se tornando a chacota da semana e é a prova de que até mesmo para mentir tem que ter competência.

20 de junho

Enquanto Carlos Bolsonaro levava um gancho de 7 dias do Facebook por postagem indevida na rede, o ex-ministro da Secretaria de Governo general Santos Cruz caiu atirando. Depois de ser demitido da pasta por falta de alinhamento político-ideológico alegado pelo ex-capitão, Santos Cruz disse que o governo Bolsonaro tem grande possibilidade de “dar certo”, mas que o que pode atrapalhar é “ficar discutindo bobagem em vez de colocar o foco sobre as coisas boas que cada ministério tá fazendo”. Disse ele que o governo Bolsonaro é um show de besteiras. A declaração ocorreu durante entrevista que cedeu à Revista Época e se baseou em publicações pouco inteligentes do mandatário do país em sua conta no Twitter e no Facebook que, de acordo com o ex-ministro, criam situações que atrapalham o governo ou ofendem pessoas.

Só agora é que chegamos à metade do ano. Percebe-se que ainda há tempo para que Bolsonaro entenda os limites de um chefe de estado.

21 de junho

Procuradora-geral da República, Raquel Dodge encaminhou ao STF um parecer que contraria o pedido de anulação da sentença sobre o triplex do Guarujá que rendeu prisão ao ex-presidente Lula.

A defesa do presidiário se baseou nas conversas da #VazaJato que, de acordo com os advogados, tornaram suspeita a imparcialidade do então juiz Sergio Moro que condenou Lula a 12 anos de xilindró.

A ação está na pauta do STF do próximo dia 25.

Para Raquel Dodge, o fato de as conversas não terem sido aferidas por autoridades competentes faz com que a conduta de Moro não possa ser questionada. Além disso, Dodge diz: “A Procuradora-Geral da República manifesta preocupação com a circunstância de que as supostas mensagens divulgadas pelo site The Intercept Brasil tenham sido obtidas de maneira criminosa, e que ferem a garantia constitucional à privacidade das comunicações, a caracterizar grave atentado às autoridades constituídas brasileiras”.

Nessa queda-de-braço de gigantes, não há muito o que esperar senão uma rodada de pizza de pavão.

22 de junho

A americana Julia Hawkins ganhou medalha de ouro na competição de 100 metros rasos. Isso não seria novidade se Julia não tivesse 103 anos de idade.

Isso mesmo! A americana que já foi ciclista e que guarda diversas medalhas em sua casa, resolveu começar a correr aos 101 anos e já é a segunda vez que leva o ouro.

Julia Hawkins é o exemplo vivo de que a idade, por si só, não é barreira para novas conquistas.

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