A semana em minutos

Formou-se, enfim, a cúpula política brasileira


A Semana em Minutos (27jan a 2fev)

Notícias que foram destaques na semana

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  • 27 de janeiro

A matéria publicada em 27 de janeiro pelo Poder 360 informava que o número de mortos na tragédia de Brumadinho já havia superado a de Mariana. Hoje o número subiu de 37 para 115 mortes.

A Justiça mantou bloquear R$ 11 bilhões da Vale, o Ibama multou a mineradora em R$ 250 milhões e o governo mineiro em mais R$ 99 milhões. O valor do pedido de bloqueio veio após análise financeira da Vale que lucrou, apenas no 3º trimestre de 2018, R$ 8,3 bilhões líquidos.

Fica aqui uma reflexão:
É impossível compreender o que os sobreviventes de mais este desastre provocado pelo homem estão sentindo. Mas você pode ter uma pequena noção do que isso representa.

Experimente deixar tudo o que você costuma carregar consigo quando sai de casa, como celular, documentos, relógio.
Vá para a rua apenas com a roupa do corpo e por uma hora tente se imaginar sem sua casa, sem qualquer lugar onde possa se abrigar. Imagine ainda que tudo o que você tinha não existe mais.

Imagine que você não terá mais o seu cachorro, seu gato. Imagine que seus parentes, amigos e vizinhos foram mortos num mesmo instante. Imagine-se sozinho, com fome e sede.
Talvez seja possível entender vagamente o que os sobreviventes de Brumadinho sentiram no dia do desastre.

  • 28 de janeiro

O presidente Jair Bolsonaro foi submetido a uma cirurgia para reversão da colostomia, procedimento que durou 7 horas. Ontem um boletim médico disse que Bolsonaro já apresentava início dos movimentos intestinais.

Durante o período de afastamento de Bolsonaro, Hamilton Mourão assume interinamente a presidência e faz declarações que movimentam as redes sociais e instigam críticos.

Segundo o general, o Brasil não pensa em mudar a embaixada em Israel, o que contradiz Jair que havia assegurado que mudaria a sede de Tel Aviv para Jerusalém.

Em outra entrevista disse que o aborto deve ser uma decisão da mulher o que contraria o clã Bolsonaro, que é contra o aborto. Em resposta, Eduardo Bolsonaro disse que não tem nada a declarar quando o assunto é Mourão.

E para fechar com chave de ouro, Mourão sinalizou ser favorável à liberação de Lula para ir ao velório do irmão. Segundo o vice-presidente, “é uma questão humanitária”.

Mourão tem surpreendido até mesmo os mais críticos com sua postura pacificadora e declarações que agradam o grande público. Porém, não se pode esquecer que ele é general, é um estrategista e como tal sabe pavimentar o chão que pisa e que pretende pisar.

  • 29 de janeiro

Apesar de estar dentro da “meta” do governo, a dívida pública brasileira subiu quase 9% e atingiu o valor estratosférico de R$ 3,877 trilhões. Você consegue imaginar uma montanha de dinheiro feita com quase R$ 3,9 trilhões? Eu não!

Mas… o que raios é dívida pública? Se você não sabe, aqui vai uma explicação bem básica.

O governo arrecada dinheiro basicamente de impostos e é com este dinheiro que ele paga salários, mantém os serviços básicos, faz propaganda e mais uma infinidade de coisas.

Mas na hora de fechar o balanço o governo verifica que arrecadou menos do que devia e para suprir a diferença é preciso pegar dinheiro emprestado. Diferentemente de nós, simples mortais, que vai ao banco, penhora o fígado e um rim para conseguir algum dinheiro emprestado, o governo emite títulos que são, resumidamente, um documento que garante ao credor receber posteriormente a dívida com acréscimo de juros.

Sempre que há emissão desse tipo de documento a dívida com credores aumenta. E como os credores são, em boa medida, bancos e investidores e não algum fundo internacional, como o FMI, a dívida é interna ou simplesmente, dívida pública.

Trazendo tudo isso para a nossa realidade, é como se você devesse ao banco e a cada mês você precisasse pegar um pouco mais emprestado para pagar a dívida com este mesmo banco. É a famosa Bola de Neve.

  • 30 de janeiro

Considerado guru de Bolsonaro, o Youtuber Olavo de Carvalho dispara contra generais do governo do capitão. Segundo ele, Mourão é puxa o saco de Jean Wyllys por ter defendido o deputado que abdicou de seu mandato para fugir de ameaças de morte.

Em vídeo publicado em seu canal no dia 26 de janeiro ele diz que Bolsonaro virou “boi de piranha” enquanto os generais governam por trás. O septuagenário youtuber ganhou maior destaque na mídia depois que apoiou incondicionalmente a candidatura de Jair Bolsonaro. Com a decisão, seus críticos se tornaram ainda mais ferrenhos e seu canal já ultrapassa 625 mil inscritos.

Considerado por alguns como o responsável pelo surgimento da chamada “nova direita brasileira”, Olavo de Carvalho não tem poupado críticas aos militares que ocupam o alto escalão de seu seguidor mais famoso, Jair Bolsonaro.

  • 31 de janeiro

Após reassumir a presidência da República no dia 30 de janeiro, Jair Bolsonaro despacha via videoconferência no Hospital Albert Einstein. O Gabinete de Segurança Institucional montou um escritório para Bolsonaro no hospital, onde há mesas, cadeiras, notebook e Tv.

Jair deverá receber alta a partir da segunda semana de fevereiro e até lá, com as definições de quem são os presidentes da Câmara e Senado, o presidente saberá com que percentual do Congresso ele poderá contar para governar o país que, como citado anteriormente, tem só de dívida pública algo perto de R$ 4 trilhões.

  • 1º de fevereiro

Enfim, tomam posse os novos deputados e senadores neste que é considerado o mais renovado Congresso em 20 anos. 513 deputados e 54 senadores, que se juntaram aos 27 que ainda possuem mandato a cumprir, terão pela frente a tarefa de legislar e ajudar o Planalto a governar o país.

No Senado, o mais jovem eleito da história é Irajá Abreu (filho da colega de casa, a senadora Kátia Abreu) assumiu o mandato com 35 anos de idade. Na Câmara, a mascote do time é Luisa Canziani, filha do agora ex- deputado Alex Canziani. Luisa assumiu mandato aos 22 anos de idade.

Luisa Canziani, deputada mais nova da legislatura

A nova legislatura é marcada pela fragmentação partidária, com a presença inédita de 30 partidos, pelo crescimento da direita, pelo encolhimento do centro e pela participação recorde, ainda que tímida, de mulheres.

  • 2 de fevereiro

Durante a madrugada do dia 2, o presidente do STF, Dias Toffoli, anulou a decisão tomada pelo plenário do Senado de abrir votação para a escolha do novo presidente da casa.

Tudo começou depois que o senador Davi Alcolumbre, que exercia naquele momento o cargo de presidente da casa, exonerou o secretário-geral da mesa e se escalou para presidir a sessão que teria ele próprio como candidato.

Entre “tapas e beijos” o plenário acabou por decidir que o voto para a escolha do novo presidente do Senado, e por conseguinte do Congresso, deveria ser aberto. Renan e trupe queriam que o voto fosse secreto, o que beneficia diretamente o alagoano que já renunciou ao cargo de presidente
do Senado em 2007 para não ter seu mandato cassado.

Mas como a política brasileira tem se transformado em uma verdadeira novela mexicana, o MDB e o Solidariedade entraram com pedido no STF para que o regimento da casa fosse cumprido, ou seja, para se eleger o presidente do Senado o voto tem que ser secreto.

Já eram 3h45 da manhã quando Dias Toffoli anulou a decisão do tipo de voto e determinou que a escolha do novo presidente do Congresso fosse realizada secretamente. Segundo Toffoli, na conturbada sessão “operou uma verdadeira metamorfose casuística”.

Nova sessão foi convocada e então começou um verdadeiro show de politicagem comprovando mais uma vez que fazer política no Brasil não é coisa para amadores.

Com a polarização da disputa pela presidência da casa entre Renan Calheiros e Davi Alcolumbre, outros sete senadores tentavam chegar ao cargo que lhes garantiria ocupar a presidência também do Congresso Nacional.

Após cinco horas de discussões e troca de acusações, a sessão foi suspensa e reaberta no dia seguinte, 2, quando ocorreu a votação. Mas para a surpresa de todos 82 votos foram computados, porém só há 81 senadores.

Entre os discursos mais amenos que disseram que houve equívoco, outros rasgaram o verbo e falaram que os 82 votos encontrados foi uma fraude. Alguns debates, discussões e eis que fica decidido que nova votação deveria ser realizada.

Mas antes mesmo de se iniciar a votação que deu a Alcolumbre a presidência do Senado, em discurso de revolta Renan Calheiros retirou sua candidatura por dizer que a eleição não estava seguindo o rito democrático.

O amapaense de 41 anos foi eleito com 42 votos e presidirá o Senado nos próximos dois anos. Davi Alcolumbre emprega em seu gabinete a esposa de Onyx Lorenzoni, seu aliado na disputa pela presidência do Senado.

Com o resultado, mais um político de atuação ínfima chega a uma presidência, e com ele o quase nanico partido DEM fez barba, cabelo e bigode ao eleger para mais um mandato na presidência da Câmara o deputado Rodrigo Maia.

Os resultados das eleições no Congresso soam como um alento ao governo Bolsonaro que terá aliados presidindo Câmara e Senado. Além disso, com o chamado “superbloco” – uma aglutinação de partidos aliados do PSL – o partido do presidente deverá ter o comando de 15 das 25 comissões permanentes na Câmara, entre elas a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC), a mais importante da casa.

Formou-se, enfim, a cúpula política brasileira.

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