Em quem não devo votar em 2018 – Jair Bolsonaro


  • Notável em criar confusões, mas não por colocar boas ideias em prática;
  • Discurso moralista que contrasta com algumas de suas ações;
  • Limitação de conhecimentos gerais, o que é inadmissível naqueles que desejam usar a faixa presidencial;
  • Réu duas vezes no STF;
  • Visão ultrapassada do mundo de hoje;
  • Nítida falta de estabilidade emocional, o que é premissa para quem deseja governar um país com 8,5 milhões de Km², com mais de 200 milhões de habitantes e com um PIB de R$ 6 trilhões por ano.

Amado cegamente por uma legião de internautas, o deputado Jair Bolsonaro (PSL) começou sua vida política graças a uma confusão que aprontou em 1987, quando, segundo investigações da época, promoveu um ataque com bombas a uma adutora na cidade do Rio de Janeiro.

Se preferir, assista ao vídeo

Mas o Superior Tribunal Militar o inocentou em 1988, graças a um laudo da Polícia do Exército que foi contestado anos depois pela Polícia Federal. Naquele mesmo ano, elegeu-se vereador do Rio pelo Partido Democrata Cristão (PDC). Dois anos depois foi eleito para a Câmara dos Deputados, sua Casa legislativa até hoje.

Nesses 27 anos como deputado federal, Jair Bolsonaro jamais ocupou cargo de destaque na Câmara e se tornou conhecido mais pelas confusões em que se mete do que por sua atuação parlamentar. Seu grande trunfo é dizer que jamais foi envolvido em qualquer caso de corrupção. Por outro lado, jamais se recusou a usar o dinheiro público do auxílio-moradia, mesmo tendo residência própria em Brasília.

É certo que muitos funcionários públicos, juízes inclusive, são donos de imóveis na cidade onde trabalham e mesmo assim aceitam receber o auxílio-moradia. Mas, para quem se considera o “paladino da honestidade”, a prática não pode ser diferente do discurso.

Maior representante político do “ultraconservadorismo” brasileiro, Jair Bolsonaro gera desconfiança sobre a sua capacidade de governar o país. Não só por questões intelectuais, mas por uma notável falta de equilíbrio emocional ao enfrentar situações adversas.

Em inúmeras entrevistas, o pré-candidato ao Planalto sempre “sai pela tangente” quando perguntas sobre assuntos de maior complexidade lhe são feitas. Quando não diz que terá uma “equipe” para resolver a questão levantada, ele se esquiva do questionamento apontando sua artilharia ao entrevistador.

Veja outros vídeos da série “Em quem não devo votar em 2018”

O apoio do Congresso Nacional é fator determinante para que um presidente da República consiga governar o país, nos termos de nosso presidencialismo de coalizão. Mas o histórico das três últimas eleições para presidente da Câmara não deixa dúvidas quanto à sua baixa popularidade entre os pares. Bolsonaro perdeu nas três vezes que tentou chegar à Presidência da Casa, tendo recebido apenas quatro votos em sua última tentativa.

Em plena era da comunicação digital, Bolsonaro já utilizou quase R$ 875 mil da verba indenizatória com serviços postais. Dinheiro público, cabe enfatizar.

Mas o gasto nos Correios diminuiu na atual legislatura (2015-2019) em quase 45%, em comparação com a anterior, passando de R$ 480 mil para pouco mais de R$ 210 mil. A explicação para a “repentina” economia talvez esteja no limite de gastos que cada deputado possui na utilização da verba indenizatória. Atualmente, deputados do estado do Rio de Janeiro possuem limite de gastos pouco superior a R$ 35 mil por mês com a cota parlamentar.

E, se o gasto com os Correios continuasse tão alto como na legislatura passada, não sobraria dinheiro suficiente para adquirir as passagens aéreas.

Passagens aéreas? 

Algumas das viagens que o permitiram discursar como pré-candidato por várias cidades do país foram pagas com dinheiro da maldita verba indenizatória. Despesas com passagens aéreas e hospedagens ultrapassaram R$ 22 mil.

A assessoria de Bolsonaro se limita a negar irregularidades. Mas os números de sua cota parlamentar demonstram um aumento de gastos com passagens aéreas. Isso demonstra o interesse do deputado por viagens fora do eixo casa-trabalho-casa em ano eleitoral, no qual é pré-candidato ao Palácio do Planalto.

Nas redes sociais Jair Bolsonaro é um fenômeno. Ele possui um exército de seguidores/admiradores que costuma disparar palavras de ódio a quem ousar falar mal de seu “mito”.  Um exemplo está nos comentários deste vídeo.

Os 30 anos de vida parlamentar o fez enxergar a política como profissão, assim como tantos outros que renunciam às suas profissões para mergulharem de cabeça neste mundo de poder. O reflexo está nos três filhos que seguem o mesmo caminho do pai, uma espécie de “negócio de família”.

Réu em duas ações penais, Bolsonaro pode até perder o mandato e ficar inelegível por alguns anos. Mas isso, claro, se ele não tivesse o foro privilegiado, o que todos nós sabemos ser uma blindagem a julgamentos, pois as decisões, no caso de deputados federais, só podem ser tomadas pela tartaruga manca do Judiciário, o Supremo Tribunal Federal.

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Em uma das ações ele é acusado de incitar o estupro ao dizer, em outras palavras, que mulheres merecem ser estupradas, “mas não todas”. Ainda que tenha sido um desabafo, o fato demonstra uma preocupante instabilidade emocional, algo que não se pode admitir em alguém que queira ocupar o cargo mais importante do país.

Aliás, a instabilidade emocional é a tônica das inúmeras declarações feitas ao longo de sua prolongada estada na Câmara, tanto que é recordista em representações no Conselho de Ética. Já recebeu seis punições em razão de pronunciamentos agressivos e entrevistas polêmicas. Foram três censuras verbais e duas por escrito, mas por sorte (dele) nunca teve o mandato cassado.

Com a crescente onda de violência urbana e diante de uma atitude apática do poder público, os admiradores de Bolsonaro enxergam nele a solução para a violência no país, pois é defensor ferrenho de armar a sociedade.

Mas é preciso considerar que um presidente não tem poderes para armar a sociedade, como deseja o presidenciável. Ele precisará convencer o Congresso Nacional a alterar a legislação, mas até agora a sua popularidade não chegou à classe política.

Apesar de estarmos no século 21, algumas atitudes e falas de Bolsonaro nos fazem lembrar do mundo de um século atrás, quando mulheres eram consideradas seres inferiores ao homem. Prova disso é o discurso pré-eleitoral que fez no Clube Hebraica, no Rio. Ao se referir à própria filha, disse que tem quatro filhos homens, mas que, por fraquejar, a quinta veio mulher.

Bolsonaro tem sua carreira política de 30 anos calçada em polêmicas e não em uma produção legislativa satisfatória. Sequer teve presença marcante em importantes momentos políticos do país.

Ele jamais conseguiu se tornar o centro das atenções sem que isso tenha sido decorrência de pronunciamentos agressivos ou entrevistas controversas. Durante discussões, a posição que toma é sempre daquele que parte para a ofensa ou repressão diante da falta de argumentos para discutir ideias.

Em vez de falar sobre como recuperar a combalida economia do país, sobre como diminuir o caos na segurança pública, na educação e na saúde, Bolsonaro fala sempre em acabar com reservas indígenas e quilombos, facilitar o porte de arma ao cidadão de bem e defender a supervalorização do nióbio.

Sabe-se que o nióbio é realmente muito eficiente como liga do aço, mas ele não é o único. Uma supervalorização desse produto desencadearia a produção de outros metais similares em outros países, e o resultado seria uma quantidade incontável de nióbio sem exploração.

A era dos extremistas políticos no Brasil já acabou. A sociedade moderna não comporta mais discursos de ódio ou de ordem autoritária. Governar um país não pode se limitar a querer fazer meia dúzia de coisas, mas sim resolver problemas estruturais que afetam todo um sistema.

O brasileiro precisa entender que não será uma só pessoa que “salvará” o Brasil pelo simples fato de não existirem salvadores da pátria, nem mitos e nem messias.

7 comentários

  1. Poucas confusões foram criadas por ele, o mesmo é muito provacado por terceiros.

    Melhor um discurso moralista que um populista.

    Temer mostrou nesses últimos meses que não sabe nada sobre nada apenas negociou sua permanência na presidência, Dilma era um fantoche do Lula, esse também de nada sabe pelo menos o Jair admite sua falta de conhecimento.

    Réu por duas vezes, mesmo tendo foro privilegiado, esse caso da Rosário já tá muito bem explicado.

    Visão ultrapassada, isso é relativo oque adianta um visionário no poder sendo que a população ainda vive no século XX?

    O mesmo já admitiu essa falta de estabilidade emocional, mas considerando que ele terá essa equipe de que tanto fala, ele não irá começar a deportar venezuelano e nem implementar algum tipo de toque de recolher.

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    • Respeito o seu ponto de vista, mas obviamente discordo dele, afinal estamos numa democracia.
      Eu acho imprudente comparar maus exemplos para justificar a possível – quase certa – candidatura de Bolsonaro, afinal devemos sempre nivelar as coisas por cima para obtermos melhores resultados.
      No mais, muito obrigado por seu comentário respeitoso. Assim deve ser um debate.
      Grande abraço.

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    • Talvez seja interessante você assistir aos outros vídeos da série. Assim você verá que não sou o “esquerdopata” que diz.
      Quanto a preparo, não é pelo fato da Dilma não ter sido preparada para governar que devemos aceitar qualquer outro que também não seja.
      Devemos olhar a caixinha de fora.

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  2. Respeito sua publicacao, estou fora do pais a 3 anos mas tento acompanhar, pois pretendo voltar um dia.
    Agora na sua colocacao qual seria a melhor opcao?. Tendo em vista que o pais esta sendo dominado por bandidos e nossos politicos estao todos afundados em um oceano de corrupcao.
    Ao meu grosso modo de analisar, ou entra um cara que faca algo e coloque ordem ou nao vai mudar nada. Um pais sem seguranca nao tem progresso.

    Curtido por 1 pessoa

  3. É incrível, quando se faz esse tipo de pergunta aos caçadores de fantasma NENHUM ABSOLUTAMENTE NENHUM RESPONDE. Por que será?

    Eu passo a acreditar que os caçadores de fantasmas estão ai mais para poder aparecer na mídia e tentar ganhar alguma notoriedade, como dinheiro em publicidade do que defender o que e de fato melhor para seu pais. As vezes me pergunto, sera que esses caçadores de fantasmas esqueceram que QUER QUEIRAM QUER NÃO ALGUÉM PRECISARA CUIDAR DA REPUBLICA?

    Caro Big, não adianta você ficar falando que a Casa e mal assombrada meu amigo, você precisa também ajudar aos visitantes quais quartos são menos assombrosos no seu tour (ponto de vista). Caso contrario não tem valor nenhum suas observações, perdem completamente o fundamento.

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  4. e disem que o jair bolsonaro para presidente esta despreparado e que não pode liberar arma , entre outra coisa. mais não vejo dizer que e um cara extrupado e contra bandidos e contra aborto . e é contra corruptos e uma pessoa que cré em deus fala a verdade não enteréssa compra voto de nimguém ,
    agora quem e comtra ele e das ideia dele e coloca tudo defeito , e porque e a favor das desgraça do pais

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