Tucano vai relatar denúncia de organização criminosa contra Temer na vaga de Feliciano


Horas após perder a vaga como suplente pelo PSDB na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, o deputado Bonifácio de Andrada (PSDB-MG) assumirá a vaga de Marcos Feliciano (PSC-SP), também suplente na comissão, e continuará como relator da denúncia. A indicação do parlamentar mineiro, cuja família está há 200 anos com representação no Congresso, desde o início acirrou a divisão interna entre os tucanos.

O PSDB já tinha deixado claro que não queria um de seus deputados relatando a denúncia na CCJ e retirou Bonifácio, no início da tarde de hoje (5), da vaga de suplente do partido na CCJ. O líder do partido na Câmara, Ricardo Trípoli (SP), tinha pedido, antes mesmo de a denúncia chegar à Câmara, ao presidente da Comissão, Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), para que nenhum tucano fosse escolhido como relator.

Após o anúncio de que Bonifácio continuaria na CCJ na vaga de Feliciano, o vice-líder do governo, Carlos Marun (PMDB-MS) comentou em coletiva que o PSDB tomou uma “atitude sem consequência”. Perguntado se com essa atitude o PSDB mostra que o governo não pode contar com o partido, Marun se esquivou. “Contamos com muitos valorosos companheiros. Com isso, o PSDB mostra à sociedade que é um partido com profundas divisões”, afirmou.

Andrada afirmou que não deixou nem deixaria a relatoria pois já estava compromissado com a CCJ e voltou a afirmar que a Câmara dos deputados é maior que os partidos. O relator também afirmou que apresentará seu relatório entre terça e quarta da semana que vem. Ele negou que tenha se sentido desrespeitado ou traído pelo partido. “Isso faz parte do jogo político”, disse Bonifácio, que classificou sua destituição da comissão como um “ato político” e “da consciência” do líder da bancada tucana, Ricardo Trípoli.

“É um ato da consciência dele. Ele foi delicado comigo, mas me tirou [da CCJ]”, lamentou o tucano.

O deputado, entretanto, se esquivou de responder quem o convidou para ocupar a vaga de Feliciano. O deputado André Moura (PSC-SE), líder do governo no Congresso, é apontado desde ontem (4) como articulador dessa manobra. Bonifácio, entretanto, colocou o presidente da CCJ, Rodrigo Pacheco (PMDB-MG) como mediador do convite.

Rejeição

Andrada vinha sendo pressionado por peessedebistas a deixar a relatoria ou se licenciar do partido. No entanto, ele resistia e era sempre incisivo ao dizer que não abandonaria a relatoria. Ele chegou a dizer que “a Câmara é maior que os partidos” em entrevista coletiva ontem (4). Para a legenda, a escolha de Bonifácio teve a influência de Temer, já que a sigla não queria se envolver na denúncia e segue em cima do muro quanto ao posicionamento sobre permanecer ou sair do governo. Além disso, Andrada votou favorável a Temer na primeira denúncia.

Ontem (quarta-feira, 4), o líder tucano na Câmara, Ricardo Trípoli (SP) afirmou que estava “entristecido” com a situação por ter grande respeito por Bonifácio. Quando a possibilidade de que Andrada seria escolhido foi aventada, os dois se falaram pelo telefone e o deputado mineiro havia afirmado que, se convidado, não aceitaria relatar a denúncia. Andrada repetiu o mesmo ao presidente em exercício do partido, o senador Tasso Jereissati (CE). Tanto Tasso quanto o presidente licenciado do partido e senador afastado do mandato por determinação do STF, Aécio Neves (MG), além de cerca de oito ou nove outros deputados correligionários apelaram ao deputado para que não aceitasse a incumbência de relatar a denúncia.

A relatoria sob responsabilidade de Bonifácio gerava constrangimento no partido, que está rachado no apoio a Michel Temer. Isso ficou evidente na votação da primeira denúncia contra o peemedebista no plenário da Câmara, quando 21 dos 45 deputados da sigla votaram pelo prosseguimento da denúncia, enquanto 22 foram contra.

Na noite anterior à retirada de Bonifácio da relatoria, Trípoli afirmou que a decisão seria tomada nesta quinta-feira (5), em reunião dos parlamentares no comando da sigla. Ele afirmou que a relatoria não interessa ao PSDB e já não havia muitas alternativas que não gerassem ainda mais desconforto e constrangimento no partido.

POR ISABELLA MACEDO

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