A bancada dos investigáveis


A qualidade questionável do nosso Congresso Nacional é uma realidade há tempos em nosso país. Para coroar ainda mais esta calamitosa situação, treze deputados sozinhos somam cem acusações criminais.

Não. Não estamos falando do PCC ou do Comando Vermelho. O caso se trata de treze senhores de paletó e gravata que representam uma parcela do povo brasileiro na Câmara dos Deputados.

Corrupção, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e fraude em licitações são os crimes mais comuns atribuídos aos treze “representantes do povo”.

Obviamente que inquéritos e até mesmo ações penais não querem dizer que todos eles são culpados, mas obviamente que isso acende um alerta aos eleitores desses treze para que pensem muito bem antes de votarem neles novamente.

Mas infelizmente a maioria dos eleitores não pensa assim e eu explico o motivo. O deputado Roberto Góes (PDT-AP), por exemplo, que já foi prefeito de Macapá, acumula 18 dezoito acusações criminais, sendo 8 inquéritos e 10 ações penais. Em 2010 ele foi trancafiado preventivamente por dois meses no presídio da Papuda, aqui em Brasília.

A Operação Mãos Limpas da Polícia Federal desarticulou um esquema de desvio de verbas federais operado por servidores públicos e políticos amapaenses, entre eles o então governador, Waldez Góes (PDT), primo de Roberto Góes. Ao voltar para casa, em 12 de fevereiro de 2011, Roberto Góes foi recebido com festa no aeroporto e reassumiu a prefeitura. Em 2014, chegou à Câmara na condição de deputado mais votado do Amapá. Há um ano ele foi condenado pelo STF por peculato, mas ele recorreu da sentença.

Enquanto o poder econômico estiver de mãos dadas com a ingenuidade e cumplicidade de maus eleitores, pessoas como este deputado Roberto Góes continuarão dando as cartas na política brasileira, recebendo dinheiro muitas vezes de forma ilícita, provocando o enriquecimento próprio de maneira estratosférica e condenando os mais humildes a uma vida miserável e sem perspectiva de melhora.

Enquanto não nos dermos conta de que a mudança que o brasileiro precisa fazer em sua cultura deve partir de nós e não da classe política, muitos outros Robertos Góes continuarão decidindo o futuro do país.

O levantamento foi realizado pelo Congresso em Foco. Veja quem são os treze deputados que devem explicações à Justiça, ou se preferir assista ao vídeo:

  • Paulinho da Força (SD-SP) – acusado de ser beneficiário de um esquema que desviou recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A Procuradoria-Geral da República (PGR) pede a condenação do parlamentar por ter cometido crimes contra o sistema financeiro, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.

  • Rogério Marinho (PSDB-RN) – foi ele quem relatou a reforma trabalhista na Câmara. É investigado por lavagem de dinheiro, peculato, falsidade ideológica e crimes contra a ordem tributária.

  •  Arthur Lira (PP-AL) – responde a cinco inquéritos, quatro deles envolvendo corrupção passiva. O deputado já foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República, acusado de ter recebido recursos desviados da Petrobras.

  • Newton Cardoso Jr. (PMDB-MG) – é réu em dois processos, por falsidade ideológica e crimes contra o meio ambiente e o patrimônio genético; e por crimes contra a ordem tributária.

  • João Carlos Bacelar (PR-BA) – acumula seis inquéritos. Os crimes apontados nas denúncias são eleitorais, contra a fé pública eleitoral, falsidade ideológica, corrupção passiva, corrupção ativa, lavagem de dinheiro, violação de sigilo funcional e peculato.

  • Alfredo Kaefer (PSL-PR) – os sete procedimentos abertos contra ele apuram crimes contra o sistema financeiro, formação de quadrilha, crimes contra a ordem tributária, crimes contra o patrimônio, crimes falimentares, extinção do crédito tributário e crimes praticados por particular contra a administração em geral.

  • Andrés Sanchez (PT-SP) –  as sete investigações abertas contra o ex-presidente do Corinthians são sobre corrupção passiva, sonegação de contribuição previdenciária, apropriação indébita previdenciária, crimes contra a ordem tributária e crimes eleitorais.

  • Aníbal Gomes (PMDB-CE) – se tornou réu no âmbito da Operação Lava Jato e responderá à ação penal por corrupção (ativa e passiva) e lavagem de dinheiro.

  • Nilson Leitão (PSDB-MT) – tem contra si cinco inquéritos sobre crimes contra a Lei de Licitações, um sobre corrupção passiva e uma ação penal na qual é réu por crimes de responsabilidade. Ele é o deputado que propôs num projeto de lei de sua autoria, que o trabalhador rural poderia ser remunerado com alimentos.

  • André Moura (PSC-SE) – é réu em três ações penais pelos crimes de formação de quadrilha, improbidade administrativa e crimes de responsabilidade. Responde ainda a quatro inquéritos, sendo por tentativa de homicídio, crimes contra a Lei de Licitações, peculato, crimes de responsabilidade, formação de quadrilha, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

  • Veneziano Vital do Rêgo (PMDB-PB) – responde a dez procedimentos. A única ação penal está suspensa. Dos nove inquéritos, quatro investigam a prática de crimes de responsabilidade. Ele também é investigado por peculato, lavagem de dinheiro e corrupção.

  • Zeca Cavalcanti (PTB-PE) – responde a 11 inquéritos que investigam crimes de responsabilidade e crimes contra a Lei de Licitações. Ele foi denunciado pela OPS por uso indevido da maldita verba indenizatória.

 

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