Assombrado pela Lava Jato, Padilha volta à Casa Civil com futuro indefinido


O ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, volta ao trabalho em Brasília, nesta segunda-feira (13), após uma licença de duas semanas para a retirada da próstata. O afastamento do ministro, em 27 de fevereiro, coincidiu com a elevação das denúncias contra ele nas investigações da Operação Lava Jato. Desde então, Padilha, que é um dos auxiliares mais próximos do presidente Michel Temer, tem futuro incerto no governo. O nome dele é dado como certo na lista dos novos investigados da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), com base nas delações premiadas de 77 executivos da Odebrecht.

Segundo interlocutores de Temer, o presidente pretende conversar com o ministro e cobrar sua versão sobre as suspeitas levantadas nas últimas semanas contra ele. Amigo pessoal do presidente e seu ex-assessor especial, o advogado José Yunes disse à imprensa e ao Ministério Público Federal que foi usado como “mula” por Padilha para receber um “pacote” repassado pelo doleiro Lúcio Bolonha Funaro, preso na Lava Jato. Suspeita-se que no volume havia dinheiro não declarado para a campanha eleitoral do PMDB.

O ex-vice-presidente da Odebrecht Cláudio Melo Filho relatou que o gaúcho participou da reunião em que o presidente Michel Temer e o então presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, combinaram uma “ajuda financeira” para o PMDB nas eleições de 2014.

Nesse fim de semana, veio a público depoimento de outro ex-diretor da empreiteira. Segundo José de Carvalho Filho, um dos delatores do processo que corre no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra a chapa Dilma-Temer, Padilha usava quatro senhas para receber os repasses do grupo: Foguete, Árvore, Morango e Pinguim. O delator contou ao TSE que o ministro intermediou o pagamento de caixa dois para o PMDB nas últimas campanhas eleitorais.

De acordo com o Estadão, José de Carvalho afirmou que o montante total destinado ao PMDB chegou a R$ 4 milhões, dos quais R$ 500 mil foram reservados ao deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), um dos caciques do partido nos últimos anos.

Membros do PMDB avaliam nos bastidores que Yunes resolveu falar sobre o assunto à imprensa com o objetivo de blindar Temer das investigações sobre o esquema de corrupção. O advogado jogou a responsabilidade pelos repasses de dinheiro a Padilha. Assim, com o ministro da Casa Civil posto no foco das acusações, Temer estaria protegido pelo amigo e ex-assessor especial.

POR CONGRESSO EM FOCO
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