Investigadores dizem que Mantega sucedeu a Palocci em esquema de corrupção da Lava Jato


A Polícia Federal (PF) anexou um relatório às investigações sobre o ex-ministro Antônio Palocci no qual afirma que existem indícios de que o também ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, substituiu Palocci – preso nesta segunda-feira (26) , na 35ª fase da Operação Lava Jato – na ordenação dos pagamentos ilícitos operados pelo empreiteiro Marcelo Odebrecht no esquema de corrupção desarticulado pela Polícia Federal na Petrobras. No documento, a força-tarefa da investigação detalha o papel da BMX Empreendimentos, empresa utilizada pela Odebrecht na execução de projetos para a Prefeitura de São Paulo, em operações de pagamento de propina.

Em anotações apreendidas pela PF na empreiteira de Marcelo – condenado a 19 anos e quatro meses de prisão, em março deste ano – os investigadores encontraram registros que relacionam R$ 3 milhões a Mantega e aos petistas Cândido Vacarezza e Carlos Zarattini. O tópico atrelado a eles seria o “Evento Out”, que de acordo com a força-tarefa, seriam eleições. Outros R$ 2 milhões também estavam relacionados a Mantega e integravam os valores ao “Evento 2014″. As informações foram veiculadas hoje (segunda, 26) no site do jornal O Globo.

“Guido Mantega (GM) , por sua vez, ao que parece, definiria a destinação de R$ 1 milhão, relativo ao ‘Evento Out’, e de R$ 21 milhões, relacionado ao ‘Evento 2014′”, diz trecho do relatório.

Na planilha em que Mantega é identificado como “Pós Itália”, estão contabilizados ainda R$ 23 milhões a um “Amigo”, alcunha que os investigadores afirmam não ter sido identificada. Ainda de acordo com a PF, antes de substituir Palocci, Mantega já era próximo a Marcelo Odebrecht, e auxiliava o empreiteiro a obter informações sobre as movimentações feitas pelo ex-ministro preso na fase batizada de Omertà.

Ministros praticaram os mesmos crimes para financiar campanhas do PT, diz a PF

Mantega foi preso na 34ª fase da Lava Jato, denominada de Arquivo X, na última quinta-feira (22) enquanto acompanhava a esposa em uma cirurgia. Devido ao estado de saúde de Eliane Berger, o juiz Sérgio Moro, responsável pelas investigações na primeira instância da Justiça, em Curitiba (PR), revogou o pedido de prisão. A decisão de Moro, expedida às 12h22, ocorreu logo após o petista chegar à sede da Polícia Federal em São Paulo.

A prisão do ex-ministro foi determinada com base em depoimento do empresário Eike Batista, que relatou ter repassado US$ 2,35 milhões, a pedido de Mantega, para quitar dívidas de campanha do PT com o casal de marqueteiros João Santana e Mônica Moura.

POR PATRÍCIA CAGNI
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