Cunha insinua que senadores e ex-ministro também receberam propina da Lava Jato


O deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) começou a apontar o que pode contar de segredos de corrupção que teriam sido praticadas por colegas. Em nota (íntegra abaixo) divulgada nesta quarta-feira (13), Cunha se manifesta injustiçado com o que diz considerar diferença de tratamento por parte do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Responsável pelas acusações da Operação Lava Jato contra suspeitos com foro privilegiado, Janot denunciou Cunha como beneficiário de propinas, mas deixou de fora da ação o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o senador Jader Barbalho (PMDB-PA), delatados no mesmo caso pelo ex-senador Sérgio Machado, também ex-presidente da Transpetro e indicado por Renan para a estatal.

Cunha se refere à ação penal 192, do Supremo Tribunal Federal (STF), aberta em decorrência das declarações de Sérgio Machado, que fez delação premiada na Lava Jato. Por meio de depoimentos e diálogos telefônicos gravados com autorização judicial, Machado entregou vários parlamentares que se beneficiaram da propina arrecadada por ele na compra de sondas pela Petrobras.

“Os mesmos delatores acusam como beneficiários das supostas vantagens indevidas montando a US$ 6 milhões os senadores Renan  Calheiros, Jader Barbalho e o senador cassado Delcídio do Amaral”, diz Cunha em trecho da nota, concluída com uma espécie de ameaça a Renan.

A nota de Cunha também cita o ex-ministro de Minas e energia, Silas Rondeau, ligado ao senador Edison Lobão (PMDB-MA) e ao ex-presidente da República José Sarney. “A ação penal que deveria ser indivisível, segundo o Código Penal, foi aberta apenas contra mim”, diz o comunicado do ex-presidente da Câmara, cassado na noite de terça-feira (12) por quebra de decoro parlamentar acusado de mentir ao negar à CPI da Petrobras que é dono de contas ilegais no exterior.

Vento e tempestade

A nota de Cunha foi uma resposta às declarações feitas na manhã desta quarta-feira por Renan Calheiros. Respondendo sobre as consequências da cassação de Cunha, Calheiros disse: “Não sou especialista em Eduardo Cunha, não gostaria nem de falar sobre isso. Mas aquilo que nós vimos ontem, é aquilo: quem planta vento colhe tempestade. Afasta de mim este cálice”.

Na nota Cunha foi irônico. Disse que deseja “sucesso ao presidente do Senado no comando da Casa, e acreditando na sua inocência, espero que os ventos que nele chegam através de uma dezena de delatores e inquéritos no STF, incluindo Sérgio Machado, não se transformem em tempestade”. E concluiu: “E que ele consiga manter o cálice afastado dele”.

Ontem, logo depois de ter sido cassado, o peemedebista deu coletiva de imprensa e demonstrou todo a sua indignação com o que aconteceu. E, no que já é interpretado como uma ameaça ao governo Temer, fez críticas à gestão do aliado e até acusação de que houve combinação com o PT e o próprio presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), para derrubá-lo.

Veja no vídeo:

Leia a íntegra da nota de Cunha:

“Com relação às declarações do presidente do Senado, Renan Calheiros, temos a falar:

1 – Ao contrário do dito pelo presidente do Senado, durante o meu período a frente da presidência da Câmara, não houve matérias de caráter relevante oriunda do Senado que deixássemos de apreciar em plenário. Ao contrário o Senado, que deixou de apreciar vários temas importantes aprovados na Câmara, dentre outros, projeto de terceirização, redução da maioridade penal, correção do FGTS dos trabalhadores e PEC da reforma política, no qual apenas foi destacada a janela partidária deixando-se de apreciar temas como fim da reeleição e financiamento de campanha. Esperamos que o Senado aprecie essas matérias.

2 – Com relação à diferença de tratamento entre mim e o Presidente do Senado, destacado no meu discurso na Câmara ontem, ressalto que na ação penal número 982 do Supremo Tribunal Federal, decorrente da denúncia aceita baseada apenas na palavra de delatores sobre sondas da Petrobras, os mesmos delatores, nas suas delações, acusam como beneficiários das supostas vantagens indevidas montando a US$ 6 milhões os senadores Renan Calheiros, Jader Barbalho, Delcídio do Amaral e Silas Rondeau. Entretanto, a ação penal que deveria ser indivisível, segundo o Código Penal, foi aberta apenas contra mim.

3 – No mais, com todo desejo de sucesso ao presidente do Senado no comando da Casa, e acreditando na sua inocência, espero que os ventos que nele chegam através de mais de uma dezena de delatores e inquéritos no STF, incluindo Sérgio Machado, não se transformem em tempestade. E que ele consiga manter o cálice afastado dele.

Eduardo Cunha”

POR LEONEL ROCHA

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