Léo Pinheiro e Vaccari são alvos de operação sobre fundos de pensão


O ex-presidente da OAS Léo Pinheiro e o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto são alvos da Operação Greenfield, deflagrada na manhã desta segunda-feira (5) pela Polícia Federal em oito estados e no Distrito Federal. O executivo foi preso preventivamente por ordem de Sérgio Moro depois de ser conduzido coercitivamente para prestar depoimento no âmbito da Greenfield. Já Vaccari foi alvo de mandado de busca e apreensão, mas já está preso desde abril do ano passado em Curitiba pela Lava Jato.

Ambos também são investigados pela Operação Lava Jato. Léo Pinheiro, que já cumpria prisão domiciliar, no mês passado, esteve no centro de uma polêmica entre a Procuradoria-Geral da República e o Supremo Tribunal Federal (STF). Após a divulgação de que sua delação premiada cita o ministro Dias Toffoli, o empreiteiro teve o acordo de colaboração suspenso pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

Segundo Pinheiro, Toffoli teria recorrido a uma empresa indicada pela OAS para realizar uma obra em sua casa em Brasília. O ministro nega que tenha relação de intimidade com Léo Pinheiro e ressalta que pagou pelas reformas realizadas em sua residência.

A Operação Greenfield, por sua vez, investiga, por crimes de gestão temerária e fraudulenta, os quatro principais fundos de pensão do país: a Previ (de funcionários Banco do Brasil), o Postalis (de servidores dos Correios), a Funcef (de trabalhadores da Caixa) e a Petros (de empregados da Petrobras). A suspeita é de que o prejuízo nessas instituições tenha chegado a R$ 8 bilhões.

Ao todo, são cumpridos 106 mandados de busca e apreensão, 34 de condução coercitiva e sete de prisão temporária. Os mandados foram expedidos pela 10ª Vara Federal de Brasília e alcançam investigados no Distrito Federal e em oito estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina e Amazonas.

Segundo o Ministério Público Federal, a Operação Greenfield é um dos desdobramentos da investigação iniciada há um ano e meio e tem como base dez casos descobertos a partir da análise das causas dos déficits bilionários apresentados pelos fundos de pensão. Ainda na fase preliminar da apuração foram encontrados indícios de que, em oito deles, as instituições realizaram investimentos – de forma temerária ou fraudulenta – por meio de Fundos de Investimentos em Participações (FIPS).

Com base nas informações e documentos reunidos durante a apuração, os investigadores já constataram a existência de quatro núcleos distintos que atuavam na possível organização criminosa: o empresarial; o de dirigente de Fundos de Pensão; o de empresas avaliadoras de ativos e o de gestores e administradores dos FIPs. Há ainda outros dois núcleos que estão sendo mapeados. O avanço das investigações permitirá que os envolvidos respondam na medida de suas participações, por gestão temerária ou fraudulenta, além de outros crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.

POR CONGRESSO EM FOCO

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