Gabinete de Liliane Roriz apagou 54 mil arquivos antes de operação


liliane-roriz-840x560Autora da denúncia que resultou no afastamento de toda a Mesa Diretora da Câmara Legislativa, a ex-vice-presidente da Casa Liliane Roriz (PTB) terá de explicar aos investigadores por que funcionários de seu gabinete deletaram mais de 54 mil arquivos apenas nos quatro dias anteriores à deflagração da Operação Drácon. São documentos, fotos e projetos de lei que já foram recuperados pelos técnicos da Coordenação de Informática da Câmara Legislativa do Distrito Federal e enviados à Polícia Civil e ao Ministério Público do Distrito Federal. A Operação Drácon apura se deputados distritais receberam propina para destinação de emendas parlamentares para a saúde, conforme denunciou a própria Liliane.

Segundo o relatório elaborado pela Câmara Legislativa ao qual o Congresso em Foco teve acesso, os registros de acesso eletrônico de três servidores do gabinete da deputada foram usados para deletar os arquivos. Na conta de uma funcionária, 47.436 arquivos foram excluídos. Já em nome de um segundo servidor, outros 6.497 documentos foram deletados. E usando a senha de uma terceira integrante da equipe da parlamentar, 175 arquivos foram apagados.

Em nota, Liliane Roriz afirmou que “só irá se pronunciar após o Ministério Público concluir suas investigações”. Ressaltou que “quanto ao questionamento à CMI sobre o sumiço dos arquivos da rede do Gabinete 16, ele foi feito pelo chefe de gabinete da própria parlamentar, José Adenauer Aragão”. Disse também que “Liliane está de licença, sem vencimentos” e “não tem interesse em se precipitar nas suas declarações”.

O relatório ainda esclarece que “a permissão de acesso a qualquer pasta do servidor de arquivos da Câmara Legislativa só é concedida mediante solicitação formal, que pode ser por meio de memorando ou formulário, assinado pelo titular da unidade à qual a pasta pertence”. No período da análise (entre 17 e 22 de agosto), 54.224 arquivos foram excluídos dos computadores analisados.

Celina

Outra suspeita de vazamento da investigação e queima de arquivos recai sobre Sandro Vieira, ex-secretário legislativo da presidente afastada da Câmara Legislativa, Celina Leão. Testemunhas acusam Sandro de ter retirado um computador e documentos do gabinete da presidência um dia antes da chegada da Polícia Civil.

A suspeita sobre o assessor de Celina, exonerado na terça-feira (30), foi lançada pelo deputado Chico Vigilante (PT). Segundo o promotor Clayton Germano, estão sendo analisadas as imagens do circuito interno de câmeras para investigar a suspeita de subtração de provas.

A deputada Celina Leão, em nota, afirmou que vai entrar com uma representação por quebra de decoro parlamentar contra o deputado Chico Vigilante (PT), “pela acusação infundada de que um de seus assessores teria retirado computadores de seu gabinete, um dia antes da operação deflagrada pela Polícia Civil e MPDFT, para esconder provas”. A presidente afastada da Casa apresenta como prova um relatório da Polícia Legislativa que atesta “que não foi constatada pelos peritos imagens da suposta retirada de equipamentos de informática”.

A operação

A Operação Drácon investiga um esquema denunciado por Liliane Roriz, filha do ex-governador do Distrito Federal Joaquim Roriz. A deputada gravou áudios de Celina Leão e do ex-secretário-geral, Valério Neves, falando sobre um esquema de desvio de recursos da saúde por meio de emendas parlamentares.

Nesta sexta-feira (2), a Drácon teve mais uma fase. Segundo o Ministério Público, “a ação foi realizada apenas na Câmara Legislativa do DF e teve como objetivo alcançar locais que não foram objeto de busca na primeira fase, além de conferir os computadores dos gabinetes para verificar se houve a subtração de algum equipamento ou a eliminação de arquivos eletrônicos”.

Em nota, a Câmara Legislativa ressaltou “seu dever legal de cooperação com as investigações”. E confirmou que os policiais “cumpriram mandado de busca e apreensão em gabinetes, no setor de informática e na Presidência da CLDF”.

Mesa afastada

Na semana passada, a Câmara Legislativa foi alvo de busca e apreensões por parte da Polícia Civil. Toda a Mesa Diretora da Casa foi afastada e teve que prestar depoimento. Os principais alvos da operação policial são: Celina Leão, o primeiro-secretário, Raimundo Ribeiro (PPS), o segundo-secretário, Júlio César (PRB), e o terceiro, Bispo Renato Andrade (PR). Também é alvo o deputado Cristiano Araújo (PSD), suspeito de articular o esquema de recebimento de propina. Todos negam envolvimento com irregularidades.

Segundo Liliane Roriz, as gravações foram feitas no final do ano passado, quando os parlamentares decidiam o que seria feito com a sobra no orçamento da Casa no valor de R$ 31 milhões. Inicialmente, a quantia seria destinada para o custeio de reformas de escolas públicas. De última hora, no dia 29 de dezembro, porém, os parlamentares decidiram realocar o dinheiro para a saúde com o propósito de pagar faturas vencidas com uma empresa que presta serviços de UTIs na rede pública.

Liliane diz que o objetivo da mudança de rumos do dinheiro era desviar parte dos recursos para os deputados. Segundo as gravações, inicialmente os parlamentares, por intermédio do então secretário-geral da Casa, Valério Neves, tentaram fazer uma negociação com Afonso Assad, presidente da Associação Brasiliense de Construtores. Porém, em um dos áudios, Valério diz que Assad “não poderia garantir nada”.

Com o recuo de Assad, Valério afirma nos áudios que o deputado Cristiano Araújo teria conseguido o “negócio” das UTIs. Ao dizer o quanto os “hospitais iam retornar”, Valério sussurra que seria “em torno de 7%”. Ele afirma, na gravação, que todos os integrantes da Mesa Diretora sabiam do combinado. Procurada por Celina Leão, Liliane Roriz foi informada que “se houvesse algum tipo de acordo, seria para todos”.

CPI da Saúde

Em paralelo com o escândalo na Câmara Distrital, denúncias de corrupção na área são investigadas pela CPI da Saúde, que também se baseia em áudios para apurar suspeitas. Os áudios em questão, porém, foram gravados pela sindicalista Marli Rodrigues e envolvem membros do Executivo Local, como o vice-governador Renato Santana.

Com o afastamento de Celina Leão da presidência da Casa, assumiu o posto o deputado Juarezão (PSB), aliado do governador Rodrigo Rollemberg, e que foi eleito para a vice-presidência no lugar de Liliane Roriz.

Leia a íntegra da nota da deputada Liliane Roriz:

“De acordo com a assessoria de imprensa da deputada Liliane Roriz, a parlamentar só irá se pronunciar após o Ministério Público concluir suas investigações. Ainda segundo a assessoria, Liliane está de licença sem vencimentos. Quanto ao questionamento à CMI sobre o sumiço dos arquivos da rede do Gabinete 16, ele foi feito pelo chefe de gabinete da própria parlamentar, José Adenauer Aragão. A assessoria da deputada reitera que não há, por parte da deputada Liliane, nenhum interesse em se precipitar nas suas declarações.”

Por Gabriel Pontes (Congresso em Foco)

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