Impeachment: seis ex-ministros votam contra Dilma


RSF_Dilma-Rousseffe-empossa-Lula-como-Ministro_05-850x567A presidente afastada Dilma Rousseff tentará sua última cartada para manter o mandato na próxima segunda-feira (29), quando apresentará pessoalmente sua defesa no julgamento de impeachment em curso no Senado. Além de aliados e inimigos declarados, Dilma encontrará, agora como juízes, nove senadores que foram seus auxiliares e comandavam ministérios nos quatro anos do primeiro mandato e nos 17 meses na segunda gestão, interrompida com seu afastamento para responder a processo por crime de responsabilidade.

Dilma não encontrará um clima amistoso entre seus antigos auxiliares. Dos nove ex-ministros da petista, só três – Gleisi Hoffmann (PT-PR), Armando Monteiro Neto (PTB-PE) e Kátia Abreu (PMDB-TO) – votarão contra o impeachment e a favor do retorno dela ao Palácio do Planalto. Kátia e Armando, aliás, ainda são formalmente ministros afastados do governo e podem voltar ao ministério caso o impedimento definitivo seja rejeitado.

Na primeira votação do plenário do Senado que transformou Dilma em ré, no último dia 10, seus ministros já votaram pela cassação da ex-chefe. Edison Lobão, Marta Suplicy e Garibaldi Alves, do PMDB, Fernando Bezerra Coelho, do PSB, e Eduardo Lopes, do PRB, já avisaram que vão votar novamente contra a ex-chefe. Eduardo Braga estava ausente e justificou não ter votado com um atestado médico. Por algum tempo ele escondeu o voto. Mas nos últimos dias assumiu ser a favor do impeachment.

Esse grupo não se sente corresponsável pelo governo que ajudou a administrar e, inclusive, executar o Orçamento, principal razão para o pedido de impeachment. Em nenhum momento desde que a Câmara admitiu a abertura do processo de impeachment e depois do seu afastamento Dilma recebeu o apoio claro deste grupo de ex-ministros. Quando não se decidiram logo pelo impeachment, declaravam que estavam em duvida ou analisando a situação. Quando a situação política foi se delineando, alguns ministros encontraram uma justificativa para aderir ao pedido de afastamento definitivo da ex-chefe.

“O fato de ter participado do governo Dilma só reforça nossa convicção, pois pudemos testemunhar, de perto, seu jeito de governar: o governo de um só, isolado do Parlamento, dos partidos e do seu próprio Ministério”, discursou Eduardo Lopes no último dia 10, ex-ministro da Pesca já revestido novamente de senador. “A presidente não ouvia, não articulava, não dialogava, mandava como se fora dona absoluta dos interesses e sonhos dos brasileiros”, concluiu Lopes ao justificar seu voto pelo julgamento final de Dilma. O senador foi ministro entre março de 2014 e janeiro de 2015. Hoje diz que a possível volta da presidente levaria o país ao “descalabro administrativo e econômico”.

“Traição”

Outros senadores encontraram uma justificativa formal para apoiar o impeachment depois de terem deixado o ministério. Ex-titular da pasta da Integração Nacional entre 2011 e 2013, o senador Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE) transfere a responsabilidade para a direção do seu partido para justificar sua opção pelo impeachment. “O PSB deixou o governo Dilma Rousseff em 2013, dois anos antes do ano objeto do processo de impeachment, para lançar a candidatura de Eduardo Campos à Presidência”, diz a nota do ex-ministro.

O senador Garibaldi Alves (PMDB-RN) foi ministro da Previdência de Dilma e desde que o processo chegou ao Senado vota pelo afastamento definitivo da petista. Ele garante que não está magoado com o tratamento de poucos amigos que recebeu recebeu de Dilma. Ela nunca o recebeu no Palácio do Planalto para discutir assuntos de uma pasta tão importante. Dilma delegou a atribuição à então ministra chefe da Casa Civil, a também senadora Gleisi Hoffmann (PT). Quando Garibaldi resolveu deixar o cargo, Dilma deu apenas um telefonema para se despedir do auxiliar e não falou pessoalmente com o parlamentar.

“Não me sinto constrangido em votar pelo impeachment porque fui indicado pelo partido”, explica Garibaldi.

Em maio, a senadora Kátia Abreu, que foi ministra da Agricultura de Dilma, reagiu contra os ex-colegas que apoiaram o impeachment da petista, chamando-os de “hipócritas”. ”Oportunismo é abominável. Amigos ontem e inimigos hoje”, escreveu Kátia. “Esta mulher não é desonesta e não cometeu crime de responsabilidade. Falta de popularidade se cura nas urnas”, acrescentou. Ela considera uma incoerência que antigos ministros que foram corresponsáveis pela gestão do Executivo votem agora pelo impeachment. “Muito estranho”, diz.

O voto de ex-ministros contra a ex-chefe incomoda parlamentares que apoiam a presidente afastada. “Isso é uma traição. Uma infidelidade desse tamanhão não atinge apenas esses parlamentares, mas os políticos em geral, e aumenta a aversão das pessoas à política”, critica o senador João Alberto Capiberibe (PSB-AP).

Além do oportunismo político, a conveniência política e partidária, o estilo centralizador, a falta de habilidade política e os gestos considerados, por vezes, autoritários ajudam a explicar a aversão à presidente por parte dos seus auxiliares. O estilo Dilma de fazer política e de gerir o Executivo já tinha provocado este afastamento de auxiliares diretos desde a abertura do processo de impeachment na Câmara. Um dia antes de admitir a denuncia, o deputado Mauro Lopes (PMDB-MG), secretário-geral do seu partido, era ministro da Aviação Civil. Deixou a pasta, atravessou a rua e, já como deputado, votou pela abertura de processo contra sua ex-chefe.

Confira a lista dos ex-ministros de Dilma transformados em juízes do impeachment:

Armando Monteiro Neto (PTB-PE)
Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do governo afastado, retornou ao Senado na véspera do julgamento que resultou na suspensão do mandato da petista para votou contra o impeachment. Agora continua contra.

Edison Lobão (PMDB-MA)

Ministro de Minas e Energia durante todo o primeiro mandato de Dilma, comandou a mesma pasta entre 2008 e 2010, no governo Lula. Agora é a favor do impeachment.

Eduardo Braga (PMDB-AM)
Foi líder do governo Dilma no Senado entre 2012 e 2014. Comandou o Ministério de Minas e Energia entre janeiro de 2015 e abril de 2016. Defende o impeachment

Eduardo Lopes (PRB-RJ)
Ex-ministro da Pesca entre março e dezembro de 2014, é o suplente do senador licenciado Marcelo Crivella (PRB-RJ), a quem também substituiu no ministério. Em maio, quando ainda estava no exercício do mandato, Crivella votou pelo afastamento de Dilma. Lopes vai votar a favor do impeachment.

Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE)
Comandou o Ministério da Integração Nacional de janeiro de 2011 a outubro de 2013. Deixou o governo depois que o PSB decidiu lançar Eduardo Campos (que faleceu em agosto de 2014) à Presidência da República. É pai do atual ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, escolhido pelo presidente interino Michel Temer. A favor do impeachment.

Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN)
Foi ministro da Previdência Social durante todo o primeiro mandato de Dilma. Agora é a favor do impeachment.

Gleisi Hoffmann (PT-PR)
Ministra da Casa Civil entre 2011 e 2014, é uma das principais defensoras de Dilma no Congresso. Contra o impeachment

Kátia Abreu (PMDB-TO)
Ministra da Agricultura de Dilma, é uma das principais aliadas da presidente afastada. Fez oposição ao governo Lula, mas se aproximou da petista, de quem virou amiga e conselheira. Contra o impeachment.

Marta Suplicy (PMDB-SP)
Pelo PT, foi ministra do Turismo na gestão Lula entre 2007 e 2008. Comando a pasta da Cultura entre 2012 e 2014, no governo Dilma. Rompeu com o partido e filiou-se ao PMDB. A favor do impeachment.

Por: Edson Sardinha e Leonel Rocha (Congresso em Foco)

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