De cria à inimiga dos Roriz, a polêmica presidente afastada da Câmara do DF


DSC_0070a-Celina-Leao---foto-Sheyla-LealNascida politicamente na família Roriz, a presidente afastada da Câmara Legislativa, Celina Leão (PPS), partiu para o ataque contra o clã após as denúncias feitas contra ela pela deputada distrital Liliane Roriz (PTB), filha do ex-governador do Distrito Federal. Revoltada com as acusações de Liliane, Celina chamou a colega de “picareta” e “mau-caráter”. “É uma decepção que a família Roriz, que já não estava tão bem, termine a sua história no lixo”, disse Celina no plenário da Casa nesta terça-feira (23) fazendo referência à possível cassação de Liliane.

Celina assessorou a ex-deputada federal Jaqueline Roriz (PMN), a filha mais velha do ex-governador. A relação com Liliane, a caçula, sempre foi mais tensa. A rivalidade atingiu seu auge em 2010, quando o ex-governador apoiaram Celina em vez da própria filha nas eleições para a Câmara Distrital. A própria equipe de gabinete da presidente afastada é formada, em grande parte, por ex-assessores de Joaquim Roriz. Entre os auxiliares herdados estava o ex-secretário-geral da Câmara Distrital Valério Neves, que chegou a ser preso na Operação Lava Jatoacusado de ser operador do esquema envolvendo o ex-senador Gim Argello (PTB). Valério é um dos principais alvos da Operação Drácon, deflagrada nesta terça-feira.

No governo Roriz, entre 2005 e 2006, a atual presidente afastada da Câmara Legislativa foi secretária da Juventude. Celina, que deu lugar ao interino Juarezão (PSB), foi chefe de gabinete de Jaqueline Roriz na Câmara dos Deputados entre 2007 e 2009. As duas fizeram campanha juntas em 2010. Jaqueline escolheu a amiga para fazer a dobradinha mesmo tendo a irmã, Liliane, também concorrendo à vaga de deputada distrital. À época, Celina teve 7.771 votos e, filiada ao PMN, foi eleita.

Natural de Goiânia, formada em administração de empresas, Celina Leão está em seu segundo mandato como deputada distrital. Aos 39 anos, era considerada herdeira política de Joaquim Roriz, hoje com 79 anos, que governou o Distrito Federal por quatro vezes. Nas últimas eleições, porém, a deputada aliou-se aos senadores Cristovam Buarque e José Antônio Reguffe, que eram – a exemplo dela à época – do PDT, mas hoje estão no PPS e sem partido, respectivamente.

Tanto para quem acompanha de perto, quanto para quem observa de longe a política brasiliense, é curioso alguém conseguir unir em torno de si aliados de Roriz e Cristovam Buarque, adversários históricos na política local. Porém, foi com estes trunfos que Celina conquistou 12.670 votos nas eleições de 2014 e ainda se tornou presidente da Câmara Legislativa.

Familiar

A ligação de Celina Leão com o grupo político de Joaquim Roriz começou ainda na infância. A mãe de Celina, Maria Célia, sempre teve boas relações com Roriz. A matriarca da família Leão foi a primeira mulher a se separar judicialmente em Goiás, fundou grande parte dos diretórios femininos do PMDB no estado e sempre trabalhou com mulheres vítimas de violência.

Foi defendendo os interesses do clã Roriz e como opositora mais ferrenha de Agnelo Queiroz (PT) na Câmara Legislativa que Celina ganhou notoriedade. Afastou-se da família Roriz, desfiliou-se do PMN, passou pelo PSD e depois para o PDT, a convite dos senadores Reguffe e Cristovam. No governo Rodrigo Rollemberg (PSB), Celina passou logo de aliada à ferrenha opositora. No início do ano passado, uma gravação vazada à imprensa mostrou cobranças da deputada por cargos.

Rollemberg

Aliados no início do governo, Celina Leão e Rodrigo Rollemberg (PSB) também têm trocado farpas em meio às denúncias de corrupção que abalam tanto o Legislativo quanto o Executivo Local. Ambos foram aliados de campanha. O governador foi, ainda, um dos responsáveis pela eleição de Celina à Presidência da Câmara, ainda que contra a vontade da cúpula do Palácio do Buriti.

A união, porém, durou apenas seis meses. Atualmente, Celina credita ao governador as dificuldades do Distrito Federal com saúde, educação e também corrupção. Diz, recorrentemente, que o governo é “incompetente”. Com caráter oposicionista, Celina chegou a ser cotada para ocupar a vaga de Rollemberg nas eleições de 2018. A presidente afastada, porém, nega que seja candidata ao governo, e diz que pretende disputar uma das oito vagas do DF na Câmara Federal.

Rollemberg, por outro lado, viu o seu correligionário, deputado Juarezão (PSB), assumir o comando da CLDF nesta terça-feira (23), e já trabalha para eleger outro aliado nas próximas eleições para a Mesa Diretora. O nome mais cotado para a vaga é o de Agaciel Maia (PR), ex-diretor-geral do Senado.

Sobre as acusações de Celina, Rollemberg prefere não comentar e dizer que “apoia” as investigações da Operação Drácon.

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