Lava Jato: padre ligado a Gim diz que recebeu dinheiro da OAS


O padre Moacir Anastácio, da Paróquia São Pedro, em Taguatinga (DF), afirmou ao juiz Sérgio Moro que recebeu uma doação de R$ 350 mil da OAS intermediada pelo ex-senador Gim Argello (PTB-DF). O dinheiro foi usada para custear a festa de Pentecostes, realizada pela paróquia de Moacir, que fica a cerca de 20km do centro de Brasília. O evento é considerado a maior festa religiosa do centro oeste e chega reunir um milhão de pessoas.

De acordo com as investigações da força-tarefa da Operação Lava Jato, o dinheiro doado pela OAS ao religioso tem relação com a CPI da Petrobras, que tinha Gim Argello como vice-presidente. A verba seria parte da propina paga pela empreiteira para que o então senador não convocasse o executivo Leo Pinheiro para depor. Gim está preso desde abril e teve sua delação premiada homologada no mês passado.

Padre Moacir prestou depoimento na sexta-feira (5) em Curitiba porque foi arrolado como testemunha de Valério Neves Campos, ex-assessor de Gim Argello. O religioso relatou que recebeu doações também da Andrade Gutierrez e da Via Engenharia. Segundo ele, esses repasses foram feitos a pedido do ex-governador do Distrito Federal Agnelo Queiroz (PT).

De acordo com o padre, é comum esse tipo de relação com os financiadores de eventos como Pentecostes – que chega a custar R$ 600 mil. Ele declarou que a festa não é show, e sim uma celebração religiosa. Os custos são bancados por “doação dos fieis, promoções de artigos religiosos e doações de empresários”. Veja abaixo o depoimento do padre a que o Estadão teve acesso.

Receita Federal

Recentemente, o padre Moacir entrou na mira da Receita Federal por ter omitido do fisco veículos e uma fazenda. Conforme dados da Receita Federal, em 2013, o patrimônio do padre era de R$ 3,216 milhões. Em 2014, o valor caiu R$ 2,449 milhões. No ano seguinte, R$ 3,339 milhões. A variação de 2014 para 2015 foi superior a R$ 889 mil.

Gabriel Jabur/Agência Brasília

A defesa alega que o padre é herdeiro de uma família com 18 irmãos e a fazenda a que a Receita se refere é, na verdade, um sítio cuja metade pertence à viúva e a outra parte pertence a todos os filhos – inclusive o religioso. Quanto aos veículos, a defesa explica que se tratam de uma moto e uma caminhonete Hilux ano 2010 que figuraram no nome de Moacir apenas porque sua mãe, Sebastiana de Souza Carvalho, de 89 anos, estava impossibilitada de ir pessoalmente fazer a compra.

Veja a íntegra da nota da defesa do padre sobre os questionamentos da Receita Federal:

“1. O Padre Moacir é herdeiro de ANASTÁCIO JOSE DE CARVALHO, falecido em 24.08.2006, deixando 18 filhos, de 2 (dois) relacionamentos;

2. A suposta Fazenda, nada mais é do que um sítio com aproximadamente 15 hectares., dos quais a viúva detém 50% da área e a outra parte, pertencem aos 18 filhos.

3. Sensível em querer ajudar a 2 (dois) herdeiros, o Padre Moacir resolveu adquirir os direitos hereditários desses 2 (dois) irmãos, conforme se infere das Escrituras Públicas acima. Assim, além da parte que lhe tocou na herança de 1/36 (um trinta e seis avos), ele adquiriu outros 2/36 (dois trinta e seis avos), passando a deter – em comum com pessoas da sua família – 1/12 (um doze avos) do sítio – equivalente a menos de 8,5% do bem.

4. Essa gleba pertence a família do Padre Moacir desde 1914.

5. Informa, ainda, que os seus ascendentes herdarem de seu bisavô.

6. Logo, a suposta Fazenda não passa de um sítio.

7. O valor da aquisição está descrito nas escrituras, ou seja, algo em torno de R$ 14.000,00.

No mais, o automóvel HILUX ano 2010 e a Moto pertencem a genitora do Padre Moacir – SEBASTIANA DE SOUZA CARVALHO, 89 anos. Apenas figurou no nome dele na época, porque está estava impossibilidade de ir pessoalmente fazer essa compra. Foi adquirido também com recursos de sua mãe. Ele apenas emprestou o nome para comprar.

O Padre Moacir jamais imaginou que pudesse – 6 anos depois, passar por esse constrangimento.

Finalmente, o Padre Moacir tem a acrescentar que todo o seu patrimônio encontra-se declarado no seu imposto de renda.

Lembra, ainda, o Padre Moacir vive de doações e de venda de seus livros. Afinal, são 10 livros lançados ao longo dos seus 20 anos de sacerdócio. Ao contrário do que a matéria dá a entender, seu patrimônio não é grandioso, e foi amealhado de forma paulatina e lícita, por meio do seu trabalho de evangelização e do carinho dos fieis pelos seus escritos que divulgam as lições que segue de religiosidade.

Para fins de esclarecer todo esse mal-entendido, o Padre se coloca à disposição da imprensa e da comunidade para visitar a chácara de sua família – oportunidade em que os presentes poderão refletir sobre o significado das provações na vida de cada cristão e a importância do perdão para a vida no amor que se busca com a fé.

Seu advogado, Wellington Medeiros, cujo telefone profissional é 61 3322-6336, e atende no horário comercial, está à disposição para quaisquer esclarecimentos adicionais.”

POR GABRIEL PONTES

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