Política

Governador do DF enfrenta crise política e de gestão


O chão está tremendo na alta cúpula do poder político brasiliense desde a divulgação de conversas gravadas pela presidente do SindSaúde, Marli Rodrigues, com interlocutores do governo do Distrito Federal, inclusive o vice-governador Renato Santana. Ainda sem data definida para o encontro, ambos estarão frente a frente na Câmara Legislativa em uma acareação já aprovada pelos deputados distritais.

As revelações desencadearam uma grave crise na cidade. Em um dos áudios, o vice-governador admite saber da existência de um esquema de pagamento de propina no valor de 10% em contratos da Secretaria de Fazenda. A sindicalista, por sua vez, comenta sobre um esquema similar na Secretaria de Saúde, que chegaria a cobrar 30% de propina sobre o montante dos contratos.

Áudio: vice-governador revela propina no DF

As denúncias foram o suficiente para a presidente da Câmara Legislativa, deputada Celina Leão (PPS), interromper o recesso parlamentar, que oficialmente terminou na segunda-feira (1º), e convocar a CPI da Saúde para uma reunião de emergência na terça-feira (19). Dois dias depois, na quinta (21), o colegiado ouviu Marli, pela manhã, e Renato Santana, à tarde. A CPI, instalada desde maio, investiga a gestão do ex-governador Agnelo Queiroz (PT) na saúde e também parte da gestão de Rodrigo Rollemberg (PSB).

À época da instauração do colegiado, Celina Leão afirmou: “Estamos, atualmente, num debate amplo sobre as Organizações Sociais (OSs) e não adianta mudarmos o modelo de gestão sem sabermos qual foi o problema da saúde”. Agora, Celina subiu o tom contra o governador e disse, em nota, que “Rodrigo Rollemberg teve a oportunidade de estancar a corrupção instalada desde o governo passado e não o fez. Os modus operandi da corrupção continuam nesta gestão” (veja abaixo a íntegra da nota). A declaração, embora soe protocolar, demonstra uma atmosfera de conflagração entre grupos antagonistas no Distro Federal.

Além de fustigar o governo, ao qual grande parte dos deputados distritais faz oposição – inclusive a presidente da Casa – a CPI coloca em cheque a implantação das Organizações Sociais na gestão dos hospitais da cidade. O projeto é tratado como prioridade pelo governo, mas é duramente criticado por Marli e por parte do Legislativo. Celina chegou a afirmar categoricamente que “enquanto for presidente da Câmara, o projeto das OSs não entrará na pauta”. Os defensores da ideia como o secretário da Casa Civil, Sérgio Sampaio (foto abaixo) dizem que o novo modelo de gestão modernizará o sistema de saúde e facilitará as compras de subsídios hospitalares e a contratação de mão de obra.

Novo modelo de gestão modernizará sistema de saúde, defende Sampaio