Diap: protagonista de escândalos, PT mantém influência no Congresso


Atingido por investigações sobre corrupção e com parte dos seus dirigentes presa ou já condenada na Operação Lava Jato, o PT mantém poder e prestígio no Congresso. Levantamento do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) a ser divulgado nesta quarta-feira (03), que o Congresso em Foco adianta nesta reportagem, revela que a bancada de parlamentares petistas é a maior entre os abeças“cabeças” do Congresso, com 18 parlamentares entre os 100 que formam a elite do Poder Legislativo (veja abaixo a lista dos partidos e parlamentares mais influentes).

Diretor-técnico do Diap, Antônio Augusto de Queiroz explica que, apesar de não ter conseguido barrar a abertura do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, o PT ocupa cargos importantes em comissões temáticas da Câmara e do Senado. Além disso, explica o especialista, parlamentares petistas dominam temas tratados pelo Congresso e conseguem, mesmo sem a força do Palácio do Planalto, forçar negociações acerca do conteúdo de projetos e emendas e alterar as versões finais das leis.

Com as maiores bancadas na Câmara e Senado, o PMDB aparece no levantamento do Diap como a segunda legenda com mais prestígio e poder no Congresso, com 15 parlamentares. Isso ocorre apesar do fato de que dirigentes peemedebistas, muitos deles parlamentares no exercício do mandato, também estejam envolvidos em casos de corrupção detectados pela Operação Lava Jato. Segundo Queiroz, ao contrário do PT, que tem como característica um maior números de deputados e senadores envolvidos em discussões e decisões sobre leis, o PMDB concentra tal poder em um grupo reduzido de parlamentares.

Critério triplo

O Diap aplica três critérios basilares para elaborar a lista com os 100 parlamentares mais influentes do Congresso: o institucional, referente ao espaço que o parlamentar ocupa na estrutura das Casas; o que aufere a reputação entre os colegas parlamentares, assessores, jornalistas e profissionais de relações institucionais; e o que conota poder de decisão, em que pese o comportamento em votações, negociações e articulações. O primeiro quesito é o que mais tem valor na elaboração da lista.

Segundo o trabalho do Diap, a base de apoio ao governo do presidente interino Michel Temer, que está licenciado da presidência do PMDB, reúne 65% dos parlamentares influentes do Congresso. A nova oposição, representada por PT, PDT, PCdoB, Psol e Rede, representa 35% da elite do Legislativo. Outra constatação do levantamento do Diap é que o Senado cresceu em influência na lista dos cabeças do Congresso: dos 81 senadores, 38 estão entre os parlamentares mais influentes. Entre os 513 deputados, o levantamento só identificou 62 deles com prestígio suficiente para compor a lista, na avaliação do órgão.

Os senadores conseguiram proporcionalmente ter mais prestígio, uma vez que o Senado aprovou projetos de repercussão nacional nos últimos meses, entre eles a mudança do regime de exploração do pré-sal, a Lei de Responsabilidade das Estatais, os novos critérios para aocupação de cargos em fundos de pensão e a lei de qualidade na gestão.

A terceira bancada mais influente, segundo o Diap, é a do PSDB, com 14 deputados. Entre tucanos mais destacados está o líder da bancada na Câmara, Antônio Imbassahy (BA). Em seguida vem o DEM do novo presidente da Casa, Rodrigo Maia (RJ), e o PSB, com 7 representantes. O levantamento foi feito entre fevereiro e julho de 2016 e desconsiderou os parlamentares que deixaram o mandato para ocupar cargos em secretarias de estado e ministérios.

Fator Cunha

Outra conclusão do Diap é a de que o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) teve influência negativa na composição da lista dos mais influentes. Ele prestigiou com cargos e em indicações para o comando de comissões o chamado “baixo clero”, grupo de deputados desconhecidos e sem prestígio nacional. A consequência foi que esse grupo acabou por ganhar poder devido à quantidade de votos que movimenta em plenário, além de espaço político na Casa, mas sem conseguir adquirir um prestígio real.

Estão nessa lista deputados desconhecidos, em nível nacional, como o novo líder do PMDB na Câmara, Baleia Rossi (SP); o líder do PR, Aelton Freitas (MG); e João Campos (PMDB-MS), coordenador da bancada evangélica. Na iminência de ser cassado por quebra de decoro parlamentar, Cunha não compõe a lista do Diap.

Confira a tabela com os partidos mais influentes, segundo o Diap:

Partido
Deputados
Senadores
Total
PT
10
8
18
PMDB
6
9
15
PSDB
6
8
14
DEM
5
2
7
PSB
4
3
7
PCdoB
5
1
6
PP
3
2
5
PDT
3
1
4
PPS
3
1
4
Psol
4
4
PTB
3
3
Rede
2
1
3
PRB
2
2
SD
2
2
PR
1
1
PSD
1
1
PTdoB
1
1
PV
1
1
PTC
1
1
PSC
1
1
TOTAL
62
38
100

Veja a lista, em ordem alfabética, dos “cabeças” do Congresso:

DEPUTADOS

Aelton Freitas (PR-MG) – líder

Afonso Florence (PT-BA) – líder

Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) – líder

Alessandro Molon (REDE-RJ) – líder

Alex Canziani (PTB-PR) – coordenador da frente da educação

Alice Portugal (PCdoB-BA) – coordenadora de frente feminista

André Figueiredo (PDT-CE) – ex-líder

Andre Moura (PSC-SE) – líder do governo

Antônio Imbassahy (PSDB-BA) – líder

Arlindo Chinaglia (PT-SP) – ex-presidente da Casa

Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP) – vice-líder e  presidente de comissão

Arthur Maia (PPS-BA) –  ex-líder

Baleia Rossi (PMDB-SP) – líder

Carlos Sampaio (PSDB-SP) – ex-líder

Carlos Zarattini (PT-SP) – relator de matéria relevante

Chico Alencar (PSol-RJ) – ex-líder

Daniel Almeida (PCdoB-BA) – líder

Darcísio Perondi (PMDB-RS) – coordenador de frente parlamentar

Domingos Sávio (PSDB-MG) – ex-líder da minoria

Efraim Filho (DEM-PB) – vice-líder e ex-presidente de comissão

Érika Kokay (PT-DF) – vice-líder

Esperidião Amin (PP-SC) – relator de matéria relevante

Glauber Braga (PSol-RJ) – vice-líder

Henrique Fontana (PT-RS) – ex-líder

Heráclito Fortes (PSB-PI) – vice-líder

Ivan Valente (PSol-SP) – líder

Jandira Feghali (PCdoB-RJ) – líder da minoria

Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) – líder regional

João Campos (PRB-GO) – coordenador de frente evangélica

José Carlos Aleluia (DEM-BA) – vice-líder

José Guimarães (PT-CE) – ex-líder

Jovair Arantes (PTB-GO) – líder

Júlio Delgado (PSB-MG) – vice-líder

Júlio Lopes (PP-RJ) – relator de matérias relevantes

Laercio Oliveira (SD-SE) – coordenador temático

Lincoln Portela (PRB-MG) – ex-líder

Luciana Santos (PCdoB-PE) – presidente de partido e vice-líder

Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA) – vice-líder

Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR) – vice-líder

Luiza Erundina (PSol-SP) – coordenador de frente pela reforma politica

Manoel Junior (PMDB-PB) – relator de matérias relevantes

Marco Maia (PT-RS) – ex-presidente da Casa

Marcus Pestana (PSDB-MG) – representante de grupo politico

Maria do Rosário (PT-RS) – vice-líder

Miro Teixeira (REDE-RJ) –  ex-líder e formador de opinião

Onyx Lorenzoni (DEM-RS) – vice-líder

Orlando Silva (PCdoB-SP) – vice-líder da minoria

Osmar Serraglio (PMDB-PR) – presidente de comissão (CCJ)

Pauderney Avelino (DEM-AM) – líder

Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG) – relator de matérias relevantes

Paulo Foletto (PSB-ES)  – líder

Paulo Pereira da Silva (SD-SP) – presidente de partido

Paulo Teixeira (PT-SP) – ex-líder

Roberto Freire (PPS-SP) – presidente de partido

Rodrigo Maia (DEM-RJ) – presidente da Câmara

Rogério Rosso (PSD-DF) – líder

Rubens Bueno (PPS-PR) – líder

Silvio Costa (PTdoB-PE) – vice-líder da minoria

Tadeu Alencar (PSB-PE) – vice-líder

Vicentinho (PT-SP) – ex-líder

Weverton Rocha (PDT-MA) – líder

Wolney Queiroz (PDT-PE) – presidente de comissão

SENADORES

Acir Marcos Gurgacz (PDT-RO)

Aécio Neves (PSDB-MG)

Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP)

Alvaro Dias (PV-PR)

Ana Amélia (PP-RS)

Antonio Anastasia (PSDB-MG)

Antonio Carlos Valadares (PSB-SE)

Cássio Cunha Lima (PSDB-PB)

Ciro Nogueira (PP-PI)

Cristovam Buarque (PPS-DF)

Eduardo Braga (PMDB-AM)

Eunício Oliveira (PMDB-CE)

Fátima Bezerra (PT-RN)

Fernando Collor (PTC-AL)

Flexa Ribeiro (PSDB-PA)

Gleisi Hoffmann (PT-PR)

Humberto Costa (PT-PE)

João Capiberibe (PSB-AP)

Jorge Viana (PT-AC)

José Agripino Maia (DEM-RN)

José Aníbal (PSDB-SP)

José Pimentel (PT-CE)

Lídice da Mata (PSB-BA)

Lindbergh Farias (PT-RJ)

Marta Suplicy (PMDB-SP)

Paulo Paim (PT-RS)

Paulo Rocha (PT-PA)

Randolfe Rodrigues (REDE-AP)

Renan Calheiros (PMDB-AL)

Ricardo Ferraço (PSDB-ES)

Roberto Requião (PMDB-PR)

Romero Jucá (PMDB-RR)

Ronaldo Caiado (DEM-GO)

Rose de Freitas (PMDB-ES)

Tasso Jereissati (PSDB-CE)

Valdir Raupp (PMDB-RO)

Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM)

Waldemir Moka (PMDB-MS)

POR LEONEL ROCHA

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