Meirelles: sem teto de gasto, país terá alta de imposto


Em entrevista à Folha de S.Paulo, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse que o país terá de pagar um preço se o Congresso não aprovar a proposta de emenda constitucional que prevê a criação de um teto para as despesas públicas, como defende o governo do presidente interino Michel Temer. A conta, no caso, segundo ele, será aumento de impostos e juros mais altos por longo período. Com a PEC, o Executivo pretende limitar o crescimento dos gastos públicos à correção da inflação observada no ano anterior.

“O Brasil terá feito uma opção que acho errada, grave, de não controlar a evolução da sua dívida pública, e pagará um preço por isto nos próximos anos”, declarou. “Se não for aprovada, não haverá outra saída, porque nos próximos anos, para financiar este aumento das despesas públicas, só restará aumentar imposto”, acrescentou Meirelles.

Na entrevista a Maria Cristina Frias e Valdo Cruz, o ministro da Fazenda sinalizou ser contra um novo programa de refinanciamento de dívidas das empresas com a Receita Federal: “A tentativa de atender a todos é que levou à deterioração da situação fiscal e prejuízo de todos”. Ele também descartou acabar por ora com a desoneração da folha de pagamentos. A medida, segundo ele, é necessária no momento para que não cresça o número de desempregados, estimado em 10 milhões de pessoas. “E o grande desafio é criar emprego. Não descarto, no futuro, com a economia a pleno vapor, que isto possa ocorrer ou não”, ressaltou.

Meirelles disse que, apesar da queda de receita e da elevação de despesas, o governo cumprirá a meta e fechará o ano com déficit de R$ 170,5 bilhões. “Quem viver verá. Não há dúvida de que R$ 170,5 bilhões é um deficit muito elevado, mas ele foi construído por muitos anos. O que ocorreu agora é que ele foi explicitado. Nosso compromisso é dizer a verdade e anunciar metas que sejam cumpridas”, afirmou.

Segundo ele, a confiança dos investidores no país está crescendo e aumentará com o fim da incerteza sobre o futuro com o julgamento do impeachment. “Não vou entrar na questão política, mas não há dúvida de que, eliminando-se a incerteza, haverá uma recuperação maior e mais rápida. Independentemente disto, a confiança já está crescendo.”

POR CONGRESSO EM FOCO

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