“Não autorizei pagamento de caixa dois a ninguém”


A presidente afastada Dilma Rousseff negou ter autorizado o pagamento de recursos não contabilizados ao marqueteiro João Santana, responsável pelo marketing de sua campanha presidencial em 2010 e 2014. Em entrevista à Rádio Jornal, de Pernambuco, Dilma afirmou que, se houve caixa dois em sua campanha, foi sem seu conhecimento.

“Não me preocupo porque não autorizei pagamento de caixa dois a ninguém. Pelo contrário, na minha campanha, procurei pagar só o valor que achava que devia”, defendeu-se após ouvir trecho do depoimento concedido ontem por Santana ao juiz Sérgio Moro, em Curitiba. “Se houve pagamento de caixa dois para alguém, não tenho conhecimento”, reforçou a petista.

Ouça a íntegra da entrevista à Rádio Jornal

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Em depoimento ao juiz Sérgio Moro, João Santana disse que negou ter recebido caixa dois da campanha à reeleição de Dilma Rousseff, ao ser preso em março, para não “destruir a presidente” no início do processo de impeachment. Santana, que coordenou o marketing da campanha de Dilma em 2010 e 2014, e Mônica Moura, sua esposa e sócia, alegaram inicialmente que repasses de US$ 4,5 milhões feitos por um lobista em conta do casal na Suíça eram pagamento de dívidas de campanhas eleitorais realizadas por eles no exterior.

Desta vez, no entanto, os dois admitiram que o dinheiro era caixa dois da campanha da petista.“Eu que ajudei, de certa maneira, a eleição dela, não seria a pessoa que iria destruir a presidente. Nessa época, já se iniciava um processo de impeachment, mas ainda não havia nada aberto. Sabia que isso poderia gerar um grave problema”, disse o publicitário.

Na entrevista concedida esta manhã de Brasília, por telefone, ao apresentador Geraldo Freire, a presidente afastada disse acreditar que voltará ao Palácio do Planalto para concluir seu mandato em janeiro de 2019. Ela voltou a criticar o presidente interino, Michel Temer, que, segundo ela, tem prejudicado programas sociais instituídos pelo governo petista. Dilma também reprovou o pacote de reajustes salarial para o funcionalismo federal proposto por Temer.

“Há um excesso nessa história de dar aumento para quem, numa situação difícil para o país, ganha mais. É melhor manter, por exemplo, a faixa 1 do Minha Casa, Minha Vida. Não tenho nada contra o aumento dos servidores, eles são merecedores. Mas diante das dificuldades você não pode dar aumento para as camadas do funcionalismo que ganham mais”, questionou.

“Infeliz Eduardo Cunha”

Para ela, a eleição de Rodrigo Maia (DEM-RJ) como presidente da Câmara representa uma “melhoria” na Câmara em relação ao ex-presidente Eduardo Cunha (PMDB-RJ), chamado por ela de “infeliz” e líder do “golpe”. “Não é mais o nosso infeliz Eduardo Cunha, que fazia uma série de tratativas não republicanas lá dentro da Câmara”, declarou. “Mesmo não tendo especial aproximação com o DEM, acredito que a atuação do atual presidente da Câmara seja absolutamente republicana. Assim sendo, ele não pode votar contra os interesses do país. Isso é a base da governabilidade”, emendou.

A presidente rebateu a crítica feita pelo ex-presidente Lula de que seu erro foi ter prejudicado o trabalhador de menor o adotar medidas de ajuste fiscal no início de seu segundo governo. “Entendo a posição do presidente Lula. Agora não acredito que mexi no bolso do trabalhador. O que mexi foram coisas que estavam incorretas”, avaliou.

Sem mudança

Dilma disse que lutará pela retomada de seu mandato em respeito à democracia e aos votos que recebeu e negou a informação, publicada recentemente em jornais, de que já está preparando sua mudança para o Rio Grande do Sul.

“O que eu tenho está aqui no Palácio da Alvorada. Tem muito pouca coisa minha em Porto Alegre. Não terei os 11 containers do ex-presidente Lula. Mas, em janeiro de 2019, quando acredito que estarei saindo daqui, vou carregar uma quantidade imensa de container”, afirmou.

Dilma evitou falar de seu futuro político na hipótese de ter o mandato cassado pelo Senado. “A minha postura de voltar tem a ver não só com o meu mandato, tem a ver com a defesa da democracia no país. Não vou discutir o ‘e se’.”

A petista insistiu que o impeachment contra ela é um golpe. “Muitos dizem que não há golpe de Estado porque não há golpe militar. Esses que falam isso tentam criar uma confusão. Um golpe de Estado pode ser militar ou parlamentar. Quando é militar é como se você derrubasse a árvore da democracia. No golpe parlamentar, você tira o governo, mas não derruba a democracia. Você contamina a democracia com parasitas.”

POR CONGRESSO EM FOCO

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