Presidente da Petrobras descarta privatização


O presidente da Petrobras, Pedro Parente, disse à Folha de S.Paulo que não haverá “dogmas” na venda de ativos da estatal, mas descartou a privatização da companhia. Uma das hipóteses estudadas por Parente é o controle compartilhado, chamado por ele de “cocontrole”, com o setor privado de algumas subsidiárias, como a BR Distribuidora e a Transpetro. “Na hipótese de a gente abrir a maior parte do controle, é com cocontrole”, afirmou. Nesse caso, segundo ele, três condições terão de ser levadas em conta: a maximização do valor dos ativos, a preservação da empresa verticalizada e a manutenção dos seus interesses estratégicos.

Para ele, privatizar a estatal é um “dogma” que não está no horizonte da companhia nem da sociedade brasileira no momento. “Não acho que a sociedade brasileira esteja madura para sequer discutir, isto sim é dogma, a privatização da Petrobras. Eu acho que o trabalho que a gente tem de fazer é transformar a Petrobras de volta na maior empresa brasileira”, declarou.

Pedro Parente avalia que a “intencionalidade” e não o “gigantismo” da Petrobras abriu caminho para o esquema de corrupção na estatal revelado pela Operação Lava Jato. “Eles dariam uma volta em qualquer tipo de sistema porque, no fim do dia, a consecução da prática não se dava na própria empresa, na assinatura dos contratos. Esse dinheiro saía depois de fazer o pagamento [às empreiteiras], conforme as delações. Tenho visto afirmarem que o regime de compras da Petrobras foi uma das causas. Eu tenho dúvidas. Porque havia uma claríssima intencionalidade de agir daquela forma”, disse.

Um mês após ter assumido a presidência da empresa, Parente avalia que a gestão anterior, liderada por Aldemir Bendine, estancou a “hemorragia” da companhia, mas que ainda há problemas a enfrentar – o principal deles, o nível de endividamento da empresa. “Logo depois da capitalização, em 2010, a Petrobras tinha dívida equivalente a menos de uma vez sua geração de caixa. Quatro anos depois, saltou para quatro vezes a geração de caixa. E [isso foi gasto] em projetos que depois se mostraram totalmente equivocados, desastrosos. Veja por exemplo o Comperj, no qual a empresa investiu US$ 13 bilhões, mas não obteve nenhum retorno”.

Engenheiro formado pela Universidade de Brasília (UnB), Pedro Parente foi ministro da Casa Civil e do Planejamento no governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Após deixar o governo, presidiu a Bunge Brasil e foi vice do grupo RBS.

POR CONGRESSO EM FOCO

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