Cunha orientou pagamento de propina para Henrique Eduardo Alves, diz Folha


O ex-ministro do Turismo Henrique Eduardo Alves (PMDB) recebeu recursos da empreiteira Carioca Engenharia por meio de uma conta secreta na Suíça, segundo informações da Procuradoria-Geral da República. De acordo com reportagem do jornal Folha de S.Paulo, Alves se beneficiou do esquema de corrupção envolvendo a Caixa Econômica Federal, e os repasses feitos pela empresa seguiram a orientação do presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

A conta na Suíça em nome de Alves já era conhecida em função de uma investigação em curso no Ministério Público do país europeu, que descobriu o registro com um saldo de R$ 2,8 milhões. Porém, as informações sobre as origens dos recursos até então não haviam sido reveladas. O dinheiro depositado pela Carioca Engenharia era proveniente de propina cobrada da empresa em troca da liberação de recursos do Fundo de Investimentos do FGTS para obras do Porto Maravilha, no Rio de Janeiro.

“Por ocasião da cobrança de vantagem indevida feita aos empresários da construtora Carioca, Cunha indicou para o depósito da propina outra conta, esta de Henrique Eduardo Alves”, disse o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, no despacho em que ele relaciona o ex-ministro a um “grupo criminoso”. De acordo com a reportagem os valores das transferências totalizariam ao menos R$ 300 mil.

Janot sustenta que a conta de Alves na Suíça foi indicada por Cunha aos empresários Ricardo Pernambuco e Ricardo Pernambuco Júnior, da Carioca Engenharia. Eles entregaram aos investigadores uma relação de contas que receberam propina a pedido do peemedebista, e, entre elas, havia contas de Henrique Eduardo Alves.

O ex-ministro do Turismo comandou a Câmara antes de Cunha, e respaldou a indicação do nome de Fábio Cleto para assumir a vice-presidência da Caixa – feita pelo presidente afastado. Cleto integrava o conselho responsável pela aprovação de repasses de recursos do FI-FGTS para empresas e é acusado de intermediar o esquema de pagamento de propinas, o operador de Cunha no caso era o corretor Lúcio Funaro, preso durante operação da Polícia Federal na última sexta-feira (1º).

A defesa de Henrique Eduardo Alves ”nega veementemente ter recebido qualquer recurso indevido como vantagem pessoal em contas no Brasil ou no exterior e repudia o vazamento seletivo de informações em desrespeito à legislação e às garantias constitucionais”. Cunha, por sua vez, nega ter pedido propina para Alves. ”Não tive acesso à denúncia, não pedi propina nem para mim, nem para ninguém e desminto a afirmação”, informou por meio de nota.

POR CONGRESSO EM FOCO

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