“Traições” vão definir votação do impeachment


O futuro da presidente Dilma Rousseff, que será decidido neste domingo (17), está nas mãos dos dissidentes dos 25 partidos com representação na Câmara. E também, nas dos faltosos, que favorecem a presidente. Na sessão mais longa da história, que durou mais de 38 horas, entre sexta-feira e sábado, 24 das 25 legendas com representação na Casa (só o PEN não ocupou a tribuna) posicionaram suas bancadas. Ao todo, 15 siglas declararam apoio ao impeachment da presidente; cinco se posicionaram contra; as outras quatro se mostraram divididas ao meio.

As bancadas que se pronunciaram pelo afastamento de Dilma reúnem 350 deputados – mais que os 342 exigidos para a autorização da abertura de processo contra a presidente. Já os partidos que sinalizaram voto a favor da petista somam 135 votos. Mas essa conta não reflete a realidade da disputa: há dissidentes dos dois lados. Alguns partidos, como o PP e o PDT, ameaçam expulsar os deputados que não votarem de acordo com a orientação da liderança. O primeiro fechou questão a favor do impeachment; já os pedetistas, contra. Ou seja, ganhará a disputa deste domingo quem provocar mais “traições”.

A maioria das bancadas, no entanto, não pretende punir os dissidentes. Com 67 deputados, o PMDB dará votação expressiva para o afastamento da presidente. Mas, até ontem, ao menos sete peemedebistas, inclusive o líder, Leonardo Picciani (RJ), resistiam a abandonar o apoio a Dilma. O governo também deposita esperanças nas dissidências do PP, precipitadas pela decisão do partido de retaliar o vice-presidente da Câmara, Waldir Maranhão (MA), por mudar de posição e anunciar voto contrário ao impeachment. Ele perdeu o comando do diretório partidário em seu estado. Além de Waldir Maranhão, ao menos outros seis integrantes da sigla têm se posicionado contra o impedimento de Dilma.

Considerado um importante aliado pelo Planalto, com seus 40 deputados, o PR é a representação mais numerosa a se posicionar em favor da presidente, depois do PT. Mas o governo sabe que não poderá contar com a totalidade do partido. Deputados como Delegado Waldir (PR-GO), Cabo Sabino (PR-CE) e Maurício Quintella Lessa (PR-AL) são votos declarados contra a presidente.

Ontem, o vice-presidente Michel Temer voltou de São Paulo a Brasília para evitar uma debandada de parlamentares que também conversaram com o ex-presidente Lula e o ministro Jaques Wagner (chefe de gabinete de Dilma). Ao longo de todo o dia, governistas e oposicionistas fizeram uma batalha numérica: cada qual declarando ter conseguido angariar novos votos. De lado a lado, promessas de cargos, liberação de verbas para seus redutos eleitorais, oferta de apoio nas eleições, entre outras ofertas.

Quem está falando a verdade? O resultado só deve ser conhecido por volta das 21h. A sessão que definirá a abertura ou não do processo de impeachment está marcada para as 14h. O relator do parecer da comissão especial, Jovair Arantes (PTB-GO), poderá discursar por até 25 minutos. Na sequência, falarão os líderes partidários, que também vão orientar suas bancadas.

A votação está prevista para começar às 16h. Os deputados serão chamados um a um, seguindo a sequência alternada estabelecida pela Câmara, que leva em conta a região do país. O primeiro a votar será o deputado Abel Galinha (DEM-RR), o segundo, Afonso Hamm (PP-RS), em seguida, outro representante de Roraima, depois, outro gaúcho. E assim sucessivamente.

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