Acampamento tem de “cantinho da saúde” a baile funk


Desde domingo (10), cerca de duas mil pessoas, segundo os organizadores, e 1,5 mil, segundo a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal, acampam em frente ao Estádio Nacional Mané Garrincha, em Brasília, para acompanhar os passos do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff na Câmara e protestar pela permanência da petista no poder. São trabalhadores do campo, rodoviários, professores, operários, caminhoneiros, estudantes e muitas outras categorias vestindo vermelho, que se opõem ao que chamam de “golpe”. Os atos são organizados pela Frente Brasil Popular, que representa mais de 50 entidades.

A rotina no acampamento da chamada “Jornada pela Democracia” começa logo cedo, por volta das 6h. “Nós viemos do campo, nosso dia começa quando o sol nasce”, conta Ezequiel Seixas, integrante do Movimento Sem Terra (MST) e morador de Formosa (GO). Os próprios manifestantes se organizam para preparar o café da manhã e logo começam os atos políticos. Os jovens da União Nacional dos Estudantes (UNE) e da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) comandam as músicas, seja no clima tranquilo das rodinhas de violão, ou no batidão dos DJ’s dos bailes funk – que acontecem, normalmente, no final da manhã.

De manhã, os manifestantes ficam no próprio acampamento, onde recebem visitas de autoridades que também se opõem ao impeachment. Participaram dos atos em frente ao ginásio Nilson Nelson os senadores Gleisi Hoffmann (PT-PR) e Lindbergh Farias (PT-PB) e até o ex-presidente Lula – líder maior dos manifestantes. À tarde, além de mais discursos contra o afastamento de Dilma, o grupo marcha rumo aos locais das manifestações. Durante a semana, além do Congresso Nacional, foram também à sede da Rede Globo em Brasília e ao Supremo Tribunal Federal (STF).

O acampamento possui uma boa infraestrutura para os manifestantes. Além da comida, oferecida pela organização, mas preparada pelos manifestantes, a estrutura conta com banheiros públicos, duchas para banho e ‘cantinho da saúde’, com remédios naturais e enfermeiras preparadas para atender eventuais problemas médicos. “Gays, negros, camponeses e favelados a favor da democracia e dos direitos adquiridos”, diz uma das faixas que carregam.

Os organizadores estão sempre em contato com a polícia por meio de telefones celulares. José Abraão, do movimento Moradia Popular, é um dos responsáveis pela logística do acampamento, e agradece ao apoio da polícia. “Nós somos muitos, mas a polícia nos dá seguranças se caso alguém contra o governo quiser fazer alguma coisa conosco”, afirma o trabalhador de São Paulo.

O policiamento está sempre acompanhando o grupo. Seja no dia a dia no acampamento, ou durante as marchas. Nenhuma ocorrência foi registrada até o momento, já que o homem preso com R$ 16 mil em espécie próximo ao acampamento não foi identificado com participantes dos atos.

17 de abril

Para este domingo (17), dia da votação da abertura do processo de impeachment no plenário da Câmara, os organizadores esperam reunir 150 mil pessoas do lado vermelho da Esplanada. Eles contam que a violência não está no horizonte deles e que a orientação é para não provocar nem cair em provocações. “A luta que falamos não é a luta braçal, mas a luta de ideias e a favor da democracia”, ressaltou em discurso Camila Lanes, presidente da Ubes.

Os representantes dos movimentos de luta pela reforma agrária lembram que 17 de abril é um dia em que tradicionalmente eles se reúnem em Brasília, por marcar o Dia Internacional de Lutar Camponesas, e quando é lembrado o massacre de Eldorado dos Carajás, no Pará, em que 19 camponeses foram mortos pela polícia, há 20 anos. O movimento é conhecido como Abril Vermelho e realizado anualmente em todo o país.

POR GABRIEL PONTES

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