Senador diz que PP fica na base pelo menos até votação do impeachment


O presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), chamou jornalistas em seu gabinete nesta quarta-feira (6) para informar que, pelo menos até a votação do impeachment na Câmara, o partido vai continuar na base aliada do governo da presidente Dilma Rousseff. Ele disse também que, nesse período, a sigla não negociará cargos nos primeiros escalões.

O PP tem 51 deputados e 6 senadores. Com o desembarque do PMDB do governo, oficializado na última semana, o PP passou a ser um importante aliado do Palácio do Planalto para tentar evitar o impeachment da presidente.

No Congresso, parlamentares comentam que o governo entrou em ação para negociar mais espaço para partidos da base nos cargos dos primeiros escalões, e o PP é um dos alvos preferenciais, devido ao tamanho da bancada.

Mesmo assim, o partido tinha uma reunião marcada para esta tarde para discutir o possível rompimento com o governo. Segundo Nogueira, a reunião foi cancelada porque é a minoria dos parlamentares da sigla que defende a saída da base.

“Nós não vamos discutir mais rompimento com o governo até a votação na Câmara. Da mesma forma, não vamos negociar nenhum tipo de participação seja com o governo da presidente, seja com um provável ou possível governo de Michel Temer, e não iremos assumir nenhum cargo”, afirmou o senador.

Ele observou que existem parlamentares do PP favoráveis ao impeachment, mas disse que a maioria defende a continuidade do governo da presidente.

“O partido é um partido democrático, se tivesse número pra desembarcar teria reunião”, disse. “Há tendência de rompimento na cabeça de alguns. Mas, ficou claro que a maioria não quer romper com o governo da presidente Dilma”, completou o senador.

Questionado se, após a votação do processo de impeachment, o PP poderia  negociar cargos e ministérios, Nogueira disse que se trata de algo natural. “Isso é natural. Se nós fizemos parte da sua base, é natural que nós participemos do governo, indicando membros do nosso partido. Isso é a coisa mais natural do mundo em qualquer país democrático que existe um governo de coalizão”, argumentou.

Do G1, em Brasília

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