Política

Ele come e você paga!


Rogério Peninha é deputado federal eleito por Santa Catarina. Pertencente ao PMDB, o parlamentar lidera a Bancada dos Comilões, singelo apelido dado aos deputados que utilizam a verba indenizatória para bancar despesas com alimentação.

Apesar de ser prerrogativa dos deputados, o pagamento de refeição é limitado apenas ao próprio parlamentar, ficando assim proibido o uso da verba pública para pagamento de despesas para terceiros. Desde o ano passado, a OPS levanta dados deste tipo de despesa e encontrou hábitos pouco convencionais adotados por alguns deputados e que sugerem existir pagamentos de refeições para pessoas que não são deputados federais.

Por se tratar de uma quantidade considerável de dados, apresentarei aqui casos de apenas dois deputados, mas no final do texto você poderá assistir ao vídeo onde abordo o caso do líder supremo da Bancada dos Comilões, Rogério Peninha.

Vamos começar com dois calouros na Câmara Federal.

O deputado Luiz Carlos Ramos (PTN-RJ), conhecido como o “homem do chapéu”, embarcou nesta casa de opulência levando consigo pouco mais de 33 mil votos. Em seu primeiro ano de mandato e contrastando com a simplicidade que lhe é peculiar, alguns de seus gastos revelam práticas pouco usuais infelizmente comuns entre os membros da bancada dos comilões.

O restaurante brasiliense Macis Gourmet oferece, a preços de fevereiro de 2016, refeições durante o dia por R$ 52,90 e à noite, R$ 45,90 o quilo. O deputado foi ressarcido com a verba indenizatória em 34 notas fiscais emitidas por este estabelecimento, sendo que 23 delas possuem valores superiores a R$ 70,00, o equivalente a 1,3 quilos de comida. Mesmo um prato bem servido acompanhado de bebidas não alcoólicas (bebidas alcoólicas não podem ser pagas com o dinheiro público da verba indenizatória), dificilmente chegaríamos a R$ 65,00. Há despesas que ultrapassam R$ 100,00.

Talvez por um descuido de seu gabinete, em uma das notas é possível ver, na descrição, despesas de três pessoas que foram reembolsadas ao deputado.

Na Galeteria Beira Lago, a mais procurada pelos deputados depois do restaurante Senac localizado dentro da Câmara, o parlamentar apresentou dez notas para reembolso. Oito delas com valores superiores a R$ 110,00, valor máximo gasto por uma pessoa naquele restaurante, se considerarmos o prato mais caro do lugar, o filé de surubim que serve duas pessoas e custa R$ 76,00. Mas o carro chefe é mesmo o rodízio de galeto por R$ 49,90. Uma das notas ultrapassa os R$ 200,00.

No estado do Rio, a Adega Barril da Brasil também recebeu o deputado. Mesmo cobrando R$ 69,90 por quilo de comida, o nobre deputado foi ressarcido em notas que chegam a R$ 248,77.

Ainda no Rio, mas em outra localidade, a Tasca do Gugu tem como prato mais caro a picanha que serve três pessoas por R$ 127,80. Há ressarcimentos que beiram R$ 170,00.

Outro calouro na Câmara Federal e não menos comilão, Marinaldo Rosendo (PSB-PE) também é frequentador assíduo daGaleteria Beira Lago. Suas despesas, prontamente ressarcidas pela casa, variam de R$ 176,00 a R$ 286,00. Como já visto, o carro-chefe da casa é o rodízio de galeto por R$ 49,90 por pessoa.

Outro restaurante brasiliense, o Xique-Xique serve a Carne de Sol com acompanhamentos por R$ 108,00, o suficiente para três pessoas famintas. Nosso parlamentar pernambucano chegou a apresentar uma nota de R$ 240,00.

Nem mesmo o restaurante Senac, o mais frequentado pelos deputados devido sua localização estratégica, o parlamentar não perdoou os bolsos dos contribuintes. Três cupons fiscais apresentados para fins de ressarcimento apontam despesas de três pessoas.

No Traíra sem Espinha localizado na Vila Planalto, vizinha da Praça dos Três Poderes, o prato mais cobiçado e caro do lugar é justamente a traíra sem espinha. O prato serve tranquilamente duas pessoas ao custo de R$ 87,90. Mas, para não deixar o costume de lado, notas de R$ 120,00 a R$ 204,00 foram generosamente restituídas ao parlamentar com o dinheiro público da CEAP.

A prática de pagar as despesas alimentícias de terceiros fica também evidente nesta nota fiscal emitida pelo restaurante Golden Gate localizado no aeroporto de Recife. O deputado foi ressarcido em setembro de 2015 no valor total da nota, R$ 194,11. Na descrição, três peixes Loiseau acompanhados de salada, risoto, sucos, água e refrigerantes.

O que os deputados dizem

O deputado Luiz Carlos Ramos não se pronunciou apesar dos inúmeros telefonemas e e-mails enviados. O deputado Marinaldo Rosendo disse não ver irregularidade em seus ressarcimentos.

A OPS vai denunciar os deputados no Ministério Público, pois acredita que regras existem para serem cumpridas. Os valores podem ser ínfimos perto dos escândalos político-financeiros que nos são arremessados na cara diariamente, mas se existe uma classe de brasileiros que deve dar exemplos de honestidade, honra e servidão é a política, ainda que estejamos a anos-luz disso. Se querem ser respeitados que respeitem os votos recebidos e a confiança neles depositada.

5 respostas »

  1. Saudações Lúcio!
    Moro em Timbaúba-PE, origem do Deputado Federal Marinaldo Rosendo (infelizmente).
    Em um blog político local afirma que ele está em sexto lugar na Bancada dos Comilões, com despesas de R$ 20.402,69. Mas no blog não informa a fonte das informações e nem qual o período.
    Pesquisando eu cheguei ao seu site.
    Gostaria de saber onde eu posso verificar esta informação.
    Desde já, grato.
    Marcos Paulo.

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